Visto considerar de extrema importância o debate e o confronto de ideias partilho este documento realizado com base no debate realizado na Associação Empresarial de Sintra (AES).
Sugiro a todos os interessados que vejam o debate na AES disponível aqui
Enaltecer a AES pela sua iniciativa, fez aquilo que seria suposto os meios de comunicação social local se esforçassem por fazer e não conseguiram.
O debate na AES realizou-se no dia 22 de Setembro na sua sede, teve a moderação da jornalista Filomena Nogueira, e contou com a presença de:

Anabela Henriques (AH) pela coligação Sintra Sim (PDR/JPP)
Carlos Carujo (CC) pelo BE
Cristina Rodrigues (CR) pelo PAN
Marco Almeida (MA) coligação Juntos pelos Sintrenses (PDS/CDS/MPT/PPM/ Movimento Sintrenses com Marco Almeida
Maria José Fonseca (MJF) pelo PTP
Paulo Martins (PM) pelo PNR
Pedro Ladeira (PL) pelos Nós Cidadãos
Pedro Ventura (PV) pela CDU

Ausentes:
Basílio Horta (BH) do PS e de Carlos Correia do MRPP.

Questões:

1. Mote usado pelas diversas candidaturas

2. Propostas para o desenvolvimento económico do concelho

3. Estratégias para o setor turístico

4. As dificuldades do comércio local / Higiene Publica e mobilidade, esta questão só foi colocada aos candidatos Anabela Henriques, Carlos Carujo, Marco Almeida, Pedro Ventura, Cristina Rodrigues e Paulo Martins

5. As dificuldades da formação no concelho

6. Saúde no concelho

7. Política fiscal, como potenciar o investimento em Sintra

8. Já na intervenção do público, e visto ser um tema querido para mim a nível pessoal, questionei todos os candidatos acerca da não nomeação do Provedor Municipal cujo regulamento existe desde 2003 e o que pensam sobre isso.

Anabela Henriques

1. Anabela Henriques da coligação Sintra Sim (PDR/JPP), sobre o mote “ouvir, intervir, melhorar” considera que esta candidatura é para servir as populações intervindo na sua qualidade de vida e melhorar a vida quotidiana deles e não só.

2.Para Anabela o investimento e a economia só faz sentido se estiver ao serviço das pessoas e fomentar o desenvolvimento regional, e assim esta candidatura tem um projeto de revitalização do comércio local, o horário pouco abrangente do comércio local é um obstáculo à criação de postos de trabalho, o alargamento do horário do comércio local criaria mais emprego e seria bom para o turismo, lutam também para o Aeroporto de Sintra porque já existem as infra estruturas e é mais seguro para Sintra do que o Montijo.
A criação de um hub tecnológico seria importante para atrair jovens mais qualificados e onde “os vencimentos não são tão precários”, sugerem a área da antiga Messa em AMM para esse âmbito e industrias criativas como a Dança e o Teatro.

3. A criação de um senado para envolver todos os interessados no sector e chegar às melhores conclusões. A aposta no aeroporto vai potenciar mais hotéis e comércio.

4. Prolongar o horário de funcionamento do comércio local e a aposta nos produtos locais são a solução para potenciar o turismo e portanto o comércio. Importa partilha ideias com todos os agentes interessados para chegar às melhores soluções.

8. Não está no programa, consideram que existem representantes nas juntas com essas funções.

 

Carlos Carujo

1. Carlos Carujo, candidato pelo BE sublinha que o BE está presente em Sintra desde a sua fundação e considera que a fizeram a diferença em vários momentos, fazer essa diferença é importante na medida do combate ao “centrão”, Sintra teve sempre os mesmos partidos, “ora um ora outro”. Carlos defende uma política diferente, ambientalmente sustentável, socialmente justa e que o BE seja uma alternativa válida.

2. Para o candidato do BE, as propostas de desenvolvimento económico passam por uma área considerada fundamental, a reabilitação urbana, o investimento da CM neste sector seria importante para a criação de empregos. Defende maior apoio às empresas implicando compromissos entre essas empresas e a CM, como compromisso da não deslocalização, e de não precariedade laboral.

3. Carlos defende uma reflexão sobre o modelo turístico atual, é importante ligar o turismo à economia local criando mais-valias através da cultura, dos produtos locais, potenciar as zonas rurais e de desenvolvimento comunitário, o turismo não pode ser só o centro da vila.
Proteger a Vila e edifícios históricos, limitar a construção, regular os transportes criando um plano de mobilidade.

4. O BE propõe o Plano de Defesa do Comercio local, construído com trabalhadores e empresários do comércio local procurando formas de proteção ao comércio local, o licenciamento de grandes superfícies destrói empregos no comércio local.
O comércio local sobrevive também do turismo e ao envolvimento comunitário.

6. O hospital foi negociado à pressa e a pensar em eleições, é necessário um diagnóstico sério, renegociar este projeto. O próximo executivo deve avaliar as necessidades e entender porque o hospital encolheu no tamanho e aumentou os custos, é necessário negociar. O BE não ter vota contra o hospital por uma questão de princípio.

8. Carlos considera que os provedores surgidos um pouco por todo o lado devem ser avaliados, geralmente incorre em problemas, como a garantia de independência e a falta de meios

 

Cristina Rodrigues

1. Cristina Rodrigues do PAN, propõe uma mudança de paradigma, apesar da questão económica ser fundamental, deve existir uma contenção no uso dos recursos naturais, e defende assim uma gestão diferente.

2. Como propostas de desenvolvimento económico defende o desenvolvimento da agricultura, potenciar o desenvolvimento de produtos biológicos, as cantinas escolares devem ser fornecidas com produtos locais, revitalização dos mercados municipais, produção de mercados biológicos. É importante também reduzir o fluxo de pessoas que saem do concelho diariamente para trabalhar (60%) e aborda também a mobilidade, fomentar a utilização de transportes públicos, tornado os mais eficientes, seguros e sustentáveis (Veículos elétricos). Investimento na qualificação profissional, e a criação de polos de incubação de ideias.
Relativamente ao turismo, é importante desenvolver o agro turismo.

3. O Pan propõe fazer um estudo da carga turística no centro da vila, realça igualmente a importância de reter por mais tempo os turistas que nos visitam e de ampliar o turismo para além do centro da vila.

4. É importante revitalizar os mercados não só para quem lá trabalha e tornado os aprazíveis de visitar, um ou outro mercado poderiam ser potenciados dando o exemplo dos mercados de Campo de Ourique ou Mercado da Ribeira em Lisboa. Contrariamente à sugestão apresentada pela candidata Anabela Henriques defende uma redução do horário de trabalho de todas as grandes superfícies comerciais e deixar tempo para as famílias

8. O importante é as pessoas serem ouvidas, se isso for feito através do provedor, que seja.

 

Marco Almeida

1. Marco Almeida candidato pelos Juntos pelos Sintrenses, querem colocar na agenda municipal as pessoas, uma candidatura que conhece bem o território, os problemas e que tem soluções para essas problemas.

2. Este candidato faz um breve histórico das empresas do concelho e o seu número de trabalhadores, e deixa o dado que no período de 2013 a 2016 existiu um aumento de empresas que fecharam as portas.
Marco Almeida sugere a proposta de regulamento de cedência de espaços pertencentes à CMS para alojar empresas, e facilitar a criação de empresas diminuindo taxas

3. Marco Almeida saúda os operadores turísticos que dinamizam o sector, a CM tem de potenciar o turismo da cultura, do desporto, da saúde. Existe uma oportunidade para regular o turismo de forma a aumentar a sua qualidade.
A Portela de Sintra deve ser o grande terminal de acolhimento do turismo e de redistribuição do turismo pelas diversas áreas.
Valorizar outras zonas do concelho, e impedir a degradação do turismo é premente.

4. Marco Almeida menciona outro dado, o concelho de Sintra foi o penúltimo em termos de investimento dos 18 municípios da área metropolitana.
A AES deve ser um parceiro para a resolução de muito dos problemas dos comerciantes, a mobilidade e a falta de estacionamento são um deles, o parque de estacionamento junto às estações têm de ser gratuitos libertando as ruas dedicadas ao comércio com mais estacionamento. A CMS tem obrigação de financiar formação em larga escala.

5. A reconversão de profissões antigas em novas profissões, é importante dotar os meios escolares de cursos profissionais, dá o exemplo da escola Secundária Matias Aires com bastante oferta de cursos profissionais. A formação profissional através do IEFP não tem oferta que corresponda as necessidades do concelho, a CMS deve dar o seu contributo aqui. Outro exemplo é a Escola de Recuperação de Património e a criação de estágios. A CMS poderia bonificar a nível de taxas as empresas que criem emprego.

7. Aliviar a carga fiscal para as empresas, mas também para os munícipes, refere a pressão que o MSCMA fez para que a CMS descesse o IMI, mas há margem para mais, descer o IRS, devolver a taxa sobre a transação de imoveis para os jovens que queiram vir para morar para Sintra.

8. Marco Almeida defende um provedor de bairro que trabalhe próximo das Juntas de Freguesia.

 

Maria José Fonseca

1. A candidata pelo PTP, o foco da agenda desta candidatura é a área social, nomeadamente os que não votam, a igualdade de direitos e deveres por todas as classes sociais, as pessoas nos bairros sociais são esquecidas pelos partidos tradicionais que são esquecidas.

2. De forma a potenciar o desenvolvimento económico deve ser feita uma aposta de investimento no emprego, especialmente através de formações vocacionadas para as verdadeiras aptidões e paixões de quem as recebe e não somente como forma de uma obrigação.

3. Para a candidata o turismo cinge-se à vila de Sintra, e as restantes areas rurais com excelentes produtos regionais são esquecidas, portanto seria importante criar apoio e incentivos para a divulgação destas terras e suas gentes criando assim novas empresas e empregos.

5. Existem empresas com dificuldades em contratar porque existem lacunas de formação no IEFP, a oferta formativa do IEFP não é compatível com as necessidades das empresas. Apoiar de forma mais direta a formação.
8. Não está no programa do PTP, mas concorda com o provedor dos moradores.

 

Paulo Martins

1. Pelo PNR o candidato Paulo Martins defende uma Sintra para os sintrenses, nota que os sintrenses estão a ser esquecidos, existe bastante insegurança e falta de cuidados de saúde.

2. Para esta candidatura o Hospital é de facto imperativo para potenciar o crescimento económico, assim como as praias, e potenciar a zona rural para agricultura, baixa de taxas e impostos para o comércio local.

3. Paulo Martins refere a falta de um parque campismo no concelho, a riqueza do artesanato e gastronomia e as zonas menos conhecidas que importa dar a conhecer.

4. Os mercados, e até os de rua são uma forma de promover a zona, escoar os produtos regionais e até de convívio.

6. Defendem um hospital público e com faculdade seria uma mais-valia, exemplifica a dificuldade de mobilidade para chegar aos hospitais.

8. Não está no seu programa, será apenas mais um tacho, as juntas de freguesias devem desempenhar esse papel.

 

Pedro Ladeira

1. Pedro Ladeira, pelos Nós Cidadãos, revela que a abstenção nos 60% de 2013 tem agora representação nesta candidatura, para este candidato a grande batalha é sem dúvida a construção de um Hospital Público, um centro hospitalar de Sintra que deve ter capacidade superior ao atualmente proposto.

2. De forma a desenvolver economicamente o concelho aposta novamente no Centro Hospitalar para 600 mil pessoas, e um Centro de Congressos de forma a chamar congressos médicos, assim como de um centro de investigação.
Esta candidatura desenvolveu um plano estratégico denominado Áreas de Intervenção e Desenvolvimento for Sintra ou AID for Sintra, com 4 áreas prioritárias, Saúde e Emprego, Educação e Desporto, Economia e Coesão Social Ambiente e Turismo.
É necessário o levantamento do PIB local por freguesia, maior autonomia às Juntas, Programa smart ideias cujo objetivo é potenciar os produtos regionais.
Defende ainda que Sintra deve ser um município 100% descentralizado do Poder Central.

3. Pedro Ladeira refere que muitas viagens a Portugal são adquiridas no estrangeiro a empresas com sede fiscal em off shores, e para contrariar este problema sugere a criação de hotéis “made in Portugal” com facturação em Portugal.
O Centro Hospitalar vai potenciar também o turismo profissional.
Criar um roteiro fora do centro da vila redistribuindo riqueza. Existem ainda focos potenciadores não aproveitados, dá o exemplo as pegadas dos dinossauros na Praia Grande.

5. O desemprego é uma arma política, o IEFP não é eficaz, a AES tem um papel fundamental servindo como ponte entre as necessidades das empresas e o tecido empresarial do concelho.
Estabelecer quotas de mercado para as grandes e pequenas superfícies. As empresas já não fazem formação, querem recursos especializados sem esse ónus.

6. Defendem um estudo prévio à construção do hospital, refere a importância do Movimento de Apoio à Construção do Hospital que introduziu o tema novamente na agenda.
Considera que uma unidade similar à de Loures poderia ser interessante mas com a salvaguarda de precaver a demografia e os serviços que presta.
Critica ainda o local escolhido para o futuro hospital, na Cavaleira, ao lado de uma ETAR.

8. Esta candidatura tem uma abordagem diferente e defende o provedor dos moradores, defendem uma gestão de baixo para cima em conjunto com a articulação dos presidentes de junta de modo a defender os interesses locais e a prioridades dos investimentos.

 

Pedro Ventura

1. Pedro Ventura candidato da CDU, frisa a representação da CDU na gestão autárquica no território nacional, e quebrar o ciclo de alternância PS, PSD que se perpetua no poder.

2. Para potenciar o desenvolvimento em Sintra, o candidato diferencia a área urbana, rural e industrial e defende que o investimento camarário deve ser uma nova imagem dessas áreas industriais, dá como exemplo a conversão da área junto ao Jumbo de Mem Martins, aumentar a qualidade urbana das áreas industriais permite atrair mais investimentos, inventariar as áreas industriais devolutas de forma a que o município adquira os mesmos e os potencie.
Pedro Ventura refere ainda que as taxas deveriam ser eliminadas.

3. A CDU considera o turismo importante para o país e permite combater aspectos de intolerância e cultura de odio, no entanto faz falta a regulação do sector originando problemas na mobilidade, na pressão que cria junto das comunidades locais, nas estruturas em geral. A CDU considera que o turismo deve ser abordado numa lógica metropolitana, defende a criação da Agencia de Turismo Metropolitana, potenciado toda a zona metropolitana.

4. Pedro Ventura fala da sua vereação na área dos mercados de Sintra, nomeadamente do impacto que o licenciamento em grande escala de áreas de retalho de grande dimensão tiveram nos mesmos, e nos hábitos de consumo que foram alterados com a introdução desta oferta. A opção da CDU foi recuperar 2 mercados, o de Queluz que vai receber uma série de serviços públicos, e o mercado do Cacém que pelo mesmo modelo tem uma procura muito superior ao expectável.
Falando do mercado de Sintra, do outro lado da rua de onde o debate se realizou, defende que este mercado seja convertido para actividades culturais ou uma eventual start up. Outros mercados devem encerrar, nomeadamente o da Tapada das Merces e o de Casal de Cambra, sendo reconvertidos em serviços de proximidade e de apoio às populações.

7. (Antes de desenvolver o tema esclarece porque votou contra o hospital na assembleia municipal) A CDU é a favor do que está aprovado pelo Min. da Saúde desde 2005 que prevê para Sintra um hospital com 350 camas. Retomando o tema da politica fiscal, a CDU é contra a descida do IRS porque quem recebe o IRS são as famílias menos carenciadas, ao nível da derrama há necessidade de alterar os níveis da derrama, isso traria um impacto grande nas empresas mas pequeno na CMS.

8. Não está previsto no programa da CDU, a CDU considera que estar próximo das pessoas e trabalhar com as associações é o mais importante.

 

Nuno Agostinho