O Bloco de Esquerda (BE) apresenta-se às eleições do próximo dia 1 de Outubro com um programa construído na base da partilha, consequência da série de debates temáticos realizados ao longo dos últimos meses em várias freguesias, e das visitas e encontros com representantes de vários sectores de actividade no concelho.

Estruturado em torno de nove (9) prioridades, destacamos hoje a problemática da solidariedade social.

Neste contexto, na primeira linha de preocupações da Câmara Municipal de Sintra (CMS) devem estar os grupos mais vulneráveis sob o ponto de vista sócio-económico: desempregados, crianças e jovens em risco e idosos. Estes representam cerca de 14% do conjunto da população do concelho (INE, Censos 2011), o que nos dá uma ideia da dimensão da responsabilidade que recai sobre a autarquia neste domínio.
Alvos privilegiados da crise e das políticas de austeridade impostas ao país pela troika e pelos partidos da direita (PSD e CDS) que no governo se comportaram como autênticos cavalos de tróia da dita, importa agora reforçar programas de apoio bem estruturados, que dispensem visões paternalistas e demagógicas.

Nesta perspectiva, devem valorizar-se as iniciativas de acompanhamento de idosos, dirigidas ao apoio domiciliário e acesso a serviços.
A atenção à infância passa pelo reforço da rede pública de equipamentos: oferta das creches e alargamento dos horários, indispensáveis num concelho onde a proximidade casa/emprego é muito baixa.
As pessoas com dificuldades de mobilidade, mais afectadas do que a restante população, seja em termos do trabalho (mais precariedade) seja pela sua exclusão de importantes áreas da vida social, devem dispor das condições adequadas ao acesso à plena cidadania. O que implica, desde logo, uma política de remodelação da acessibilidade no espaço público.

Também a criação de uma Bolsa de intérpretes de Língua Gestual Portuguesa (LGP) favorece o acesso das e dos munícipes surdos a serviços públicos. O ensino alargado da LGP na escola é uma ferramenta decisiva na abordagem deste fenómeno.
No domínio do trabalho, a CMS deve assegurar-se do cumprimento da legislação laboral em vigor em relação a todas as empresas que assegurem obras por si contratadas, ou lhes prestem serviços em regime de subcontratação – nomeadamente, se têm contratos válidos e legais com todos os trabalhadores/as emigrados/as. E ainda, se cumprem as regras de higiene e segurança no trabalho.
A integração social de quem escolheu o concelho de Sintra para trabalhar e viver só será viável com o conhecimento aprofundado da realidade local por parte do Município. Dispensam-se, portanto, as respostas estereotipadas e/ou casuísticas.

Uma Rede de mediadores sociais e culturais, a realização de um Fórum de Imigrantes e Minorias étnicas ajudam àquele objectivo.
Por fim, nesta visão integradora e articulada defendida pelo BE, uma referência para a necessidade de organizar Campanhas de sensibilização contra a violência de género, bullying, homofobia, transfobia, discriminação racial e étnica e de promoção da saúde, educação cívica, ambiental e sexual.
Só com o trabalho colectivo participado, por oposição a vaidades narcísicas de que o “presidencialismo” é um dos sintomas cada vez mais evidentes na disputa autárquica entre Basílio e Marco, estaremos em condições de construir um concelho de Sintra inclusivo.
Em Comum.

Valdemar Reis

Activista do Bloco de Esquerda
(Nota: Este artigo apenas responsabiliza o autor)

 

 

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