A utilização de herbicidas é um problema de saúde pública e os sintrenses já mostraram a sua preocupação com isso, tanto que até foi criado um movimento de cidadãos precisamente com o nome “Sintra sem Herbicidas”, o qual desde já saudamos pela importante iniciativa.

O glifosato é um componente comum em pesticidas e tem sido alvo de acesos debates. Um dos mais polémicos aconteceu em 2015, após uma agência da Organização Mundial de Saúde (OMS) ter classificado o herbicida mais usado em Portugal e no Mundo como provavelmente cancerígeno.

Apesar de vários países europeus terem já limitado fortemente o uso do glifosato – como a Holanda, Dinamarca e a França, em Portugal continua a ser vulgar a sua utilização.

De acordo com a organização de protecção do ambiente, o glifosato é comercializado em Portugal “em diferentes formulações, por empresas como a Monsanto, Dow, Bayer e Syngenta, entre outras”, sendo também vendido “livremente para uso doméstico em hipermercados, hortos e outras lojas e, lamentavelmente, usado com abundância por quase todas as autarquias para limpeza de arruamentos”. Esta desresponsabilização por parte dos decisores, associada à falta de informação generalizada é grave. E, infelizmente, Sintra não é diferente, já que é o próprio município que contínua a fazer uso deste químico.

Em 2015 foi deliberado pela Câmara Municipal de Sintra a suspensão de aplicação de herbicidas que tenham como componente activo o glifosato. Posteriormente concluiu-se que o melhor era ir deixando de utilizar esses produtos de forma gradual e, portanto, em 2017 não se deveria usar mais do que 40% do que foi usado em 2013 (ano de referência), em 2018 já só se deveria usar 20% e em 2019 já não se prevê a utilização. O que até poderia ser aceitável. Sucede que, segundo os dados a que tivemos acesso, em 2017 o consumo deste tipo de herbicidas foi o maior dos últimos anos por parte da CMS. Inclusive, só um dos contractos de adjudicação foi de €174 300,00, mais do que em todo o ano de 2013. A CMS não compra directamente o produto nem o aplica mas contrata empresas especializadas que o fazem por si.

Assim, sentimos a necessidade de reforçar a importância da suspensão imediata da utilização de glifosato, até porque existem outras formas mais ecológicas, mais económicas e sem perigos para a saúde pública que podem facilmente substituir os herbicidas em causa, como é o caso da monda térmica.

Queremos que Sintra faça parte do Movimento “Autarquias sem glifosato”, comprometendo-se efectivamente com a não utilização deste produto e com a saúde dos Sintrenses.

 

Cristina Rodrigues

(Candidata pelo PAN à Presidência da Câmara de Sintra)

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