Para ser novamente eficaz e legítima defensora da Democracia, a Comunicação Social tem de se reinventar. Aquela espécie de jornalistas que funciona como um comprimido para as dores da política, corre sérios riscos de extinção. Todos sabemos as conivências de bastidores entre muitos políticos e demasiados jornalistas. Os beijinhos só numa face, para que a outra permaneça limpa. O email enviado à “La Carte”. As mensagens codificadas no Iphone, que fariam inveja ao James Bond.

Tomam comprimidos com efeitos secundários à medida das ligações que os unem a outras formas de sociabilidade que tanto curam a direita como a esquerda!
Um teatro perverso que perverte a Democracia, funcionando como uma espécie de comportamento flutuante conforme as necessidades do poder político. Um teatro cínico que afasta as pessoas das eleições e que faz as audiências das televisões e o papel jornal, acompanharem o ritmo de declínio da votação nos chamados partidos grandes.
O que hoje parece uma notícia “natural”, dando a ilusão de um trabalho imparcial é o resultado de uma “estória” que interessa passar!

As televisões em Portugal funcionam como uma espécie de comprimido, cuja composição não precisa de aprovação e podem provocar efeitos secundários à medida. Conseguem fazer algo que a Medicina ainda não conseguiu. Conseguem que o comprimido actue ou tenha efeitos secundários de forma seleccionada, e até conseguem eleger quem interessa ser eleito. Sem os comprimidos, é certinho que esse alguém que interessa ser eleito, vai perder. É assim que funciona a democracia defeituosa. Dependente e encharcada em comprimidos, com uma prescrição destinada a manter o estado que lhes convém e preservar o foro escondido da opinião pública…mais ou menos como se dá o comprimido aos cães.
Não digo que não existam jornalistas sérios. Claro que existem, mas são em menor número e incapazes de fazer uma democracia grande e infimamente menores à hipocrisia reinante!
É assim, escondida e sem visibilidade que a Democracia é entendida pelos comprimidos do costume. Dantes, apelavam à participação da Sociedade Civil na vida política. Agora, que a Sociedade Civil participa na vida política através de candidatos independentes, escondem essa participação e arredam dos debates todos os candidatos que não tomam comprimidos.

Mas Nós, Cidadãos! sabemos da existência de uma parte dessa sociedade que está num ritmo de movimento que muitos jornalistas não conseguem acompanhar e que vai fazer muitos filhos!
A Sociedade Civil desenvolveu-se segundo os valores e principios de uma estrutura política assertiva e orientada para o aperfeiçoamento das instituições e total transparência nos actos de gestão pública. Emerge no horizonte a possibilidade de retomada pelos cidadãos das condições efectivas de uma participação política voltada para a cidadania e liberdade, capazes de diminuir as desigualdades sociais.
O jornalismo de futuro, não será algo que se impõe às pessoas, mas sim, algo que se fará com elas. É assim que se vai conseguir a confiança das pessoas e é assim que os eleitores se vão sentir mais úteis para a Democracia. O papel do jornalista livre de comprimidos é fundamental para a evolução da capacidade de escrutinio do eleitor, cujo efeito secundário será a transparência e a integridade dos titulares de cargos públicos.
Toma lá, e cala-te! Era assim que o meu pai dizia quando se levantava para me dar um comprimido que acalmasse as dores provocadas pela extracção das amigdalas. Confesso que de noite não era agradável comer os gelados prescritos. Algum tempo depois, a dor passava e a vontade de falar voltava. Tinha ficado sem um bocado de mim, mas em compensação a garganta ficou maior e a voz mais rápida.

 

Pedro Ladeira
Candidato Nós, Cidadãos a Sintra!
(imagem do blogue Gente com Gente Dentro)

 

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