Sintra tinha um coleccionador de brinquedos. Chamava-se João, como se podia ter chamado António, Manuel ou Joaquim. Nomes típicos de um povo secular que conseguiu conquistar metade do mundo. O João coleccionador de brinquedos, nunca deitou um brinquedo fora. Amontoava-os nos cantos da casa porque já não havia espaço livre nas prateleiras. Olhava para eles e sonhava. Um dia sonhou grande. Sonhou com vontade de saber os segredos da Humanidade que os brinquedos desvendam e partiu sózinho à conquista do Mundo. Foram 60 anos na procura e aquisição de brinquedos e a colecção foi crescendo, crescendo, crescendo. Cada brinquedo que conseguia adquirir era mais uma conquista histórica e um mistério para desvendar. O tempo passou devagar e a colecção chegou às 20.000 peças.

Em 1987, o João, criou a Fundação Arbués Moreira, à qual doou toda a colecção de brinquedos. Doou os seus sonhos. Dois anos mais tarde, a Câmara de Sintra abria o coração aos sonhos do João e a tão belas preciosidades, nascendo o Museu do Brinquedo. Ficou instalado na antiga Casa da Vereação de Sintra, construída no Séc. XVIII e classificada como monumento de interesse público. Tinha em exposição 60.000 brinquedos de todas as partes do mundo e arredores. Um espaço internacional de sonhos, onde os adultos sentiam a criança que existe dentro de nós e um local de onde as crianças saíam a sonhar.
Em 2016, a Câmara Municipal de Sintra governada por uma coligação, composta pelo PS+PSD/CDS+CDU, obriga o Museu do Brinquedo a fechar portas e a despedir 7 colaboradores, ao qual se referiu “ como um armazém de brinquedos, sem visitas sustentáveis”.

A mesma Câmara, com o mesmo executivo, liderado pelo Presidente Basílio Adolfo Horta da França, exerce o direito de preferência sobre uma empresa municipal, da qual é accionista, na compra do Hotel Netto à família Espírito Santo, com a justificação do interesse público para a construção de um Hostel para a Juventude. Depois de aprovado em Assembleia Municipal como Hostel para a Juventude, vende-o em hasta pública para fazer um Hotel Privado, recebendo apenas 20% do preço, configurando o financiamento público de uma obra privada e indiciando, no mínimo, abuso de poder e gestão danosa de dinheiro público.

Chega de brincar com coisas sérias! Vivo em Sintra há mais de 30 anos e vi muita incompetência, mas nunca tinha visto tanto despudor e tanta falta de transparência na gestão autárquica. Nunca tinha assistido a tanta falta de visão estratégica por parte de um executivo camarário, que todos juntos, não chegam a metade de um ZERO!
Agora, em vez do palhaço dentro do balão de ar quente que prendia o olhar e decorava a fachada do Museu do Brinquedo, estão lá outro tipo de palhaços. Imagens de políticos, num edifício histórico, cheio de “estórias” espalhadas pelas paredes. Lá dentro, estão muitos dos responsáveis pelas facadas na Democracia que têm afastado das eleições a grande maioria das pessoas. Quiçá, prepositadamente?

Aceitei o convite do Nós, Cidadãos! para encabeçar a candidatura a Sintra, no sentido de mudar o modelo de gestão autocrática, que faz, como se fazia há 40 anos. Identificámos as prioridades e produzimos o AID 4 Sintra (plano estratégico) para tirar o Concelho dentro da caixa retrógrada e sem visão estratégica que caracteriza o desempenho do actual executivo e colocar todas as 11 freguesias nos melhores indicadores de crescimento e bem-estar.

Temos de esquecer a ideia que os maiores partidos são instituições que se devem preservar ao longo do tempo, independentemente do seu desempenho. Os cidadãos devem entender a importância de usar o seu voto, não para fazer política, mas sim, para defender as medidas com maior utilidade para todos nós, avisando os partidos do costume que podem ser descartáveis. Desta vez, é muito importante que os Sintrenses estejam atentos e pensem nas consequências que a abstenção poderá ter.
Temos de ter presente que estas eleições são o julgamento do desempenho da gestão autárquica no cumprimento a tempo e horas das suas obrigações, e, esse julgamento deve produzir uma única sentença: se o executivo liderado por Basílio Adolfo Horta da França, deve continuar ou não? Desta vez, é preciso que vá Votar!

 

Pedro Ladeira
Candidato Nós, Cidadãos!

 

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