A aposta na agricultura parece-nos fundamental e acreditamos que é possível, basta querer.
A mercantilização da agricultura tem provocado a “deslocalização alimentar”, estimando-se que a maioria dos alimentos viaja cerca de 4000 a 5000 quilómetros antes de chegarem à nossa mesa.

Em consequência, perde-se informação sobre a origem, o método de produção dos alimentos e perda da nossa identidade cultural. Uma típica refeição europeia, com alimentos provenientes de várias partes do planeta, pode gerar 650 vezes mais emissões de carbono, devido ao transporte, do que se a mesma refeição fosse confecionada com alimentos cultivados localmente.
A alimentação local possibilita o consumo de alimentos frescos, saudáveis e com muito menos conservantes e outros aditivos químicos necessários para que os alimentos se mantenham comestíveis durante mais tempo.
Os alimentos viajantes induzem à padronização e uniformização produtiva, o que leva à destruição do nosso património agrobiodiverso, nutricional bem como as nossas tradições gastronómicas.

Ora em Sintra devemos, pelo contrário, lutar para diferenciar as nossas variedades tradicionais e características como é o caso, por exemplo, da maçã ou da pera rocha.
Segundo dados da Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), 75% das variedades agrícolas desapareceram no último século, hoje em dia, apenas 15 variedades de cultivos e 8 de animais representam 90% da nossa alimentação.
O actual modelo de produção e distribuição tem ainda sérios impactos sobre os pequenos e médios agricultores, que muitas vezes se vêem forçados a abandonar a actividade agrícola com prejuízo para a economia local já que se perdem receitas, empregos, tecido económico, cultura(s).
A actual produção e distribuição determinam um modelo de agricultura e de ruralidade onde as produções familiares não têm lugar. Esta situação tem levado a que o agricultor ganhe cada vez menos e o consumidor pague cada vez mais.

E é este paradigma que queremos mudar. Importa dar possibilidade às pessoas que vivem nas zonas mais rurais do nosso concelho de terem uma actividade digna, lucrativa e geradora de emprego. Ajudando assim também a fixar as populações nestas áreas. A Agricultura Biológica permite a revitalização da população rural e restitui aos agricultores a verdadeira dignidade e o respeito que lhes são merecidos, contribuindo também para a protecção da paisagem e das florestas.

Por todos estes motivos consideramos fundamental a aposta no sector agrícola e propomos a criação de um projeto-piloto no concelho de Sintra que consiste na preferência de aquisição de produtos com origem local e, se possível, biológica para as cantinas escolares.
Esta transição nas cantinas pode-se iniciar de forma simples e gradual, começando por exemplo com a confecção da sopa. Assim, alia-se o aumento da procura de bens locais e biológicos a uma menor pegada ecológica pública, e ainda a um aumento da promoção da saúde das crianças.

Neste contexto de desenvolvimento agrícola surgem outras oportunidades de negócio que devem também ser estimuladas, como é o caso do Agro-turismo. Sintra é um dos concelhos mais bonitos de Portugal, sendo possível aliar os valores paisagísticos como os gastronómicos e agrícolas.
Consideramos importante também a renovação dos nossos mercados municipais, tornando-os mais competitivos em relação a outras superfícies comerciais, assegurando assim que os produtores têm como escoar os seus produtos e que os sintrenses têm a possibilidade de consumir alimentos produzidos na sua terra.

 

Cristina Rodrigues
Candidata à Câmara Municipal de Sintra pelo PAN

 

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