A entrevista de Basílio Horta ao Observador, fez estourar-lhe nas mãos um “lapso” de imediatas consequências na opinião pública e na comunicação social nacional e que, a provar-se como irregularidade, é inadmissível em titulares de cargos políticos. Tal “lapso”, fez passar para segundo plano a conhecida mediocridade argumentativa, a habitual e confrangedora ausência de uma visão global e integrada para o concelho, assim como uma referência intrigante a eventuais incêndios, em plena campanha eleitoral.

Desconheço que razões estiveram na “reprodução” de milhares em milhões nas contas do actual Presidente da CMSintra. Facto é que este último valor foi negado pelo menos duas vezes, primeiro em reacção a uma notícia do jornalista Carlos Narciso, depois na entrevista ao Observador(1), jornal online que, salvo erro, no próprio dia, confirmou que os números não batiam certo. Sobre esta questão, que infelizmente só serve para descredibilizar mais a política e os políticos, cito João de Oliveira Cachado, conhecido apoiante da candidatura de Marco Almeida, mas que, como homem avisado que é, não cedeu a especulações:” (…) se Basílio Horta tiver incorrido em qualquer irregularidade, o Tribunal Constitucional lá estará para avaliar. Aos cidadãos portugueses, em geral, aos sintrenses em particular, apenas resta esperar que o órgão de soberania cumpra o determinado em termos do escrutínio que lhe compete em nome da República. Portanto, aguardemos”. Acrescento que na lei do Controlo Público da Riqueza dos titulares de cargos políticos, o artigo 3º, no respeitante ao incumprimento, refere que “quem fizer declaração falsa incorre nas sanções previstas no número anterior e é punido pelo crime de falsas declarações, nos termos da lei.”

Graças a mais este auto-golo de Basílio Horta, o conteúdo da entrevista ao Observador passou para segundo plano. E o que passou para segundo plano, provavelmente com um grande suspiro dos seus estrategas, foram as questões fundamentais para o futuro de Sintra, já que o entrevistado, não conseguiu definir um pensamento político estruturado, não elencou problemas centrais, nem apresentou uma visão global e integrada para Sintra. O costume, inclusive aquela arrogância de quem não gosta de ser escrutinado muito menos contrariado, como se o exercício dos cargos políticos em democracia não implique a convivência com o escrutínio e o contraditório. Mas intrigante, embora não defraudando as credenciais políticas de Basílio Horta chocadas no ovo da União Nacional fascista e no CDS do Verão Quente de 1975, foi uma referência que, à excepção da jornalista que a considerou grave, penso que praticamente passou despercebida. Transcrevo, enquadrada, para melhor leitura: “No regresso ao centro histórico de Sintra e já perto da Câmara, fala (Basílio Horta) do receio que tem de um grande incêndio. Aliás, mal falamos de fogos dispara: “Eh pá, nem me fale disso”. E até levanta uma suspeita grave: “Preocupa-me muito que haja pessoas de cabeça perdida que, em período eleitoral, ponham fogo aqui. Isso é uma preocupação”.

E, longe vá o agoiro, se deflagrar um grande incêndio em Sintra durante o período eleitoral? Os leitores que tirem as suas conclusões (2).

 

João de Mello Alvim

(1)-http://observador.pt/especiais/nao-me-venham-ca-com-independencias-para-nao-enganar-o-eleitorado/
(2)-A leitura deste artigo de Fernando Castelo, é mais um contributo para a reflexão http://retalhos-de-sintra.blogspot.pt/

 

 

 

 

Anúncios