Muito tempo depois o executivo retoma uma publicação que, se em primeira instância, se poderia pensar que seria uma boa ferramenta de informação para os fregueses, numa análise mais atenta, e depois de virem à luz do dia certos contornos, percebemos que não será bem assim.

A edição do Acontece surgiu em 2015 e, ao que se pode ver no sítio da União de Freguesias, apenas foram publicados 3 números de um jornal anunciado como uma nova forma de comunicar “trimestral”. Certo é que nem um trimestre durou. Teve duas publicações em Outubro de 2015 e uma edição em Novembro de 2015. Entretanto, e depois de solicitados para mais contributos, eis que a publicação foi suspensa sem qualquer aviso.

É aqui que entram as opacas transparências. Porque em todos os processos deveria existir rigor e transparência e ainda mais num meio de informação que não mais é do que um veículo de propaganda do executivo que agora convenientemente volta a ver a luz do dia. Tal como o dito investimento no espaço público, em obra, parece que tudo “Acontece” apenas nos últimos meses de mandato, os que precedem novas eleições. Enfim, como diz a voz popular, talvez para os partidos portugueses devessem haver sufrágios todos os anos!

Mas há mais opacidades. É que em Fevereiro de 2016, depois de solicitarem mais um texto/contributo, esperava-se a continuidade (cumprindo o trimestre) da publicação. Mas eis que surge, a 18 de Março, a denúncia de factos estranhos relativos ao contrato com a empresa que prestava o serviço a duas Uniões de Freguesia sendo uma delas a de Massamá e Monte Abraão. Em sede própria, e de imediato, questionou-se o executivo e as respostas foram tudo menos esclarecedoras sobre um contrato anual, de milhares de euros, feito por ajuste direto com a empresa de um (à altura) deputado socialista. O que é estranho é que tanto dinheiro tenha “produzido” apenas 3 números da publicação e, após aquela reportagem do Sexta às 9 na RTP1, lá “desapareceu” oportunamente o jornal.

Entretanto lá regressa a publicação com edições em Julho e Novembro de 2016 e, em 2017, apenas uma em Janeiro. Com este regresso, as mesmas e agravadas dúvidas de uma transparência que, até hoje, tem sido tão cristalina como uma parede de betão em relação aos assuntos levantados. Será que é a mesma empresa que realiza o trabalho? Não acredito que se fique por 5 números (mais uma edição especial) em bem mais de 2 anos este jornal supostamente “trimestral”. Já deveriam ter sido publicadas 10 edições (o dobro do que foi feito) mas acredito que agora surjam, de repente e convenientemente, uma ou duas publicações em Setembro, porque é necessário fazer aquilo que sempre acusaram os outros de fazer, campanha eleitoral e propaganda de obra que, finalmente, as eleições trarão à efetivação. Até porque temos assistido a uma certa promiscuidade não se percebendo bem onde se está a fazer campanha, promoção ou informação com dinheiros públicos.

Exige-se uma total e verdadeira transparência e seriedade na gestão do dinheiro dos munícipes e, no que se refere a uma publicação que foi tudo menos regular pois apenas “acontece” esporadicamente, mas que continua a ter consignadas em orçamento e ajustes diretos elevadas verbas para a sua produção. Simplesmente inaceitável.

 

Carlos Miguel Saldanha

Anúncios