Fui desafiado pelo editor desta página a escrever sobre a polémica em redor das afirmações de Gentil Martins e das subsequentes reações de Isabel Moreira e José Ribeiro e Castro. Pediu a minha opinião sem filtro, sendo essa a minha forma de estar e de não virar a cara a um desafio, logo não seria um problema.

Em primeiro lugar, dizer que não estou de acordo com nenhum dos intervenientes nesta controversa troca de palavras; Em segundo lugar, e tal como gosto que respeitem a minha opinião, reconheço o direito à livre expressão dos mesmos intervenientes apesar de não concordar com os ditos. Daí o título, porque em muitas ocasiões, o silêncio é mesmo muito valioso.

Vamos às razões da minha discórdia em relação ao supracitado.

Comecemos por Gentil Martins. Mais do que o conteúdo, discordo da forma como o fez e de ter ido longe de mais. Há muitas maneiras de responder a questões sem beliscar aquilo que, genuinamente, se pensa sobre determinado assunto, sem ser ofensivo ou estabelecer comparações claramente desajustadas. Acresce o facto de ser uma referência e uma voz que se faz ouvir e, pior, de ter chamado ao discurso a mãe de CR7, facto onde extravasou, claramente, o limite do razoável.

Estranho a postura de Isabel Moreira. O exemplo como politico, professor e homem que o seu pai representa, para mim, enquanto ex-aluno do “seu” ISCSP e enquanto cidadão atento ao fenómeno político, faz com que estranhe a postura da sua filha. Neste caso, mais do que a reação extemporânea e exagerada, considero que a deputada procurou e tem procurado a polémica como modo de se autopromover e aqui, ampliou de forma exponencial, um assunto menor apesar do formato das declarações do prestigiado médico.

Finalmente, José Ribeiro e Castro. No contexto atual, considero que errou porque amplificou ainda mais o ruído à volta de um não assunto sem daí tirar dividendos. Antes pelo contrário. Posso até entender os seus motivos ou razões, mas, uma vez mais, a forma como se insurgiu, duas vezes, face à reação foi desproporcionada e, na minha humilde opinião, evitável.

Como disse no início, respeito todas as opiniões individuais e, sobretudo, as de pessoas que são para mim uma referência, mas, não posso deixar de considerar que, se o que Gentil Martins disse foi ofensivo e provocatório, as reações de Isabel Moreira e de José Ribeiro e Castro, malgrado todas as motivações e razões que possam estar-lhes subjacentes, só funcionaram como gasolina num fogacho.

Como tal, e resumindo, além de ter faltado alguma temperança e bom senso nas respostas do eminente cirurgião, também as reações dos insignes deputados me levam a entender que o silêncio teria sido de ouro.

Pois bem caro editor, caros leitores. Aqui têm a minha opinião sem qualquer filtro. Poderia ser mais incisivo, assertivo ou até disruptivo. Apenas me parece que o assunto não merece que se lhe mexa mais, sob pena de dar relevo a algo que merece mero desprezo e o tal silêncio tão precioso.

 

Carlos Miguel Saldanha

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