Querendo manter a preguiça típica das férias, mas cumprindo o compromisso com o Transferidor, seguem algumas notas soltas.
O candidato à Assembleia Municipal de Sintra, Ribeiro e Castro, compara quem discorda de si à Gestapo e a Stasi* …. Não parece uma atitude muito humanista de quem se diz “democrata cristão”…. É aquela religião onde um dos valores é “amar o próximo”, certo?

Visitando alguns fóruns, fico perplexo com a quantidade de comentários de desdém sobre tudo o que envolve politica… Como se fosse uma praga!
Ora bem, por muito que tentem, a politica é o que rege o vosso dia-a-dia, os impostos que pagam, as leis que cumprem, os direitos que têm, etc…
Podem sempre afirmar o clássico: “eu não ligo à política”, mas a politica (ou sua ausência) tem consequências, podem fazer de conta que não é nada convosco, estão somente a criar uma ilusão, e claro uma desresponsabilização. (Exemplo prático e dramático, a Gestão Florestal)

Tenho igualmente verificado um pouco por todo o país, o surgimento de movimentos de cidadãos e de “independentes”. Acho ótimo, acredito na pluralidade da democracia e não na sua alternância ou semelhança, essa é uma riqueza ainda pouco explorada pelo eleitorado, que muitas vezes vota de forma clubista, e sobre isto gostaria de partilhar duas notas mais pessoais:
A facilidade com que as pessoas se insultam on line é avassaladora, demonstra bem a falta de cultura democrática que temos.
Um dia destes, ao comentar um tema fui apelidado de “idiota”, nada que não esteja relativamente habituado, mas que me deixa sempre perplexo e triste.
Se a troca de ideias fosse cara a cara, um desconhecido chamar-me-ia de idiota? – Reparem, não era idiota a minha ideia, mas sim a minha pessoa. Como se o insulto matasse a ideia.

Por outro lado também anoto uma forma clubística de ver a política, chamar-lhe-ia a militância acéfala. Noutro fórum onde critiquei algo preconizado por um partido, alguém apontou o dedo ao meu voto noutro partido.
Como se o meu voto me impedisse de exercer espirito de crítica, como se o meu voto fosse um cheque em branco, como se o meu voto, fosse ele qual fosse, retirasse importância à crítica em concreto, como se o meu voto fosse por si só uma fundamentação retórica válida…
É também esta forma acrítica, clubista de viver a política que a perturba na sua função nobre, e impede um debate sério.

Parece que já temos o representante de Trump em Portugal, vai concorrer à Camara de Loures.

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Livros para os momentos de sombra:

“Quando Portugal Ardeu” – Novas histórias e testemunhos inéditos sobre a rede bombista de extrema-direita responsável por centenas de atentados no pós 25 de Abril. Ver aqui

“O Desafio do Decresimento” – Vivemos numa sociedade do crescimento sem crescimento, isto é, a economia que se diz e que promete crescimento ilimitado é uma economia que acabou por se “alimentar” da própria sociedade, e que busca crescer só por crescer e nos conduziu e conduz cada vez mais a um estado de angústia e de desespero. Ver aqui

Agora vou dar um mergulho.

Boas Férias.

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*ver aqui, vale igualmente a pena ler alguns comentários.

 

Nuno Agostinho

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