A todos quantos têm manifestado a sua concordância com a denúncia que apresentei no texto e imagens precedentes, gostaria de confirmar algumas circunstâncias em que radica a «questão do Netto» e que, na voragem do tempo e na espuma dos dias, mais ou menos «se esfumaram» nestes últimos quatro anos de destemperada actuação de Basílio Horta.

1. Cumpre recordar que, em Novembro de 2013, o Prof. António Lamas, então Presidente do Conselho de Administração da Parques de Sintra Monte da Lua, apresentou um plano de recuperação do Hotel Netto nos termos do qual tudo, absolutamente tudo estava previsto, incluindo a constituição daquilo que se costuma designar como ‘sindicato bancário’ que financiaria a operação.

2. Tenha-se em consideração que o Hotel Netto está implantado
no casco do centro histórico de Sintra. Quem se posicionar frente à fachada, à sua esquerda tem o Hotel Tivoli, a cerca de 20 metros, e, à direita, praticamente paredes-meias, nem mais nem menos do que o Palácio Nacional de Sintra, o Palácio da Vila.
Se se tiver em consideração que a gestão do monumento nacional distintíssimo que é o Palácio da Vila está cometida à Parques de Sintra, ainda melhor se entende que o Prof. Lamas tivesse como objectivo assegurar que a recuperação do Netto e seu posterior funcionamento se concretizassem na mais perfeita e, tanto quanto possível, íntima articulação.

3. Pois bem, poucos dias passados sobre a sua tomada de posse, eis que Basílio Horta decidiu exercer o direito de opção para aquisição do Netto. Se bem o anunciou, logo o fez e, em resultado de tão «douta» (???) decisão, uma obra que, «nas mãos» da Parques de Sintra – e com a qualidade que lhe é reconhecida, como a melhor empresa do mundo em recuperação de património edificado – já estaria pronta há mais de dois anos, ali está, naquela lastimável situação de que ontem dei conta…

4. Embora as minhas duas fotos de ilustração sejam de péssima qualidade, estou em crer que vos possibilitará o entendimento de que, estão de pé apenas as paredes exteriores e que, no interior, em cada um dos pisos indiciados pela sobreposição das janelas, não há uma única parede levantada! Como é possível? Que ritmo de obra é este?
Portanto, aquilo ainda nada contém. Nada, absolutamente nada, um vazio bem simbólico do vazio e da vacuidade das decisões do actual executivo municipal liderado pelo Dr. Basílio Horta.

 

 

 

PS:

Tenham em consideração que, a uns outros 20 ou 30 metros, impante e impune, permanece a esplanada do Hotel Central, sob cobertura de ferro, aposta à superfície azulejar da fachada, em prevaricação das normas vigentes, um inequívoco atentado à preservação do património, em zona tão crítica;
Fiquem sabendo ou lembrem que a situação foi objecto de embargo (?????), situação acerca da qual o Vice-Presidente e também Vereador com o Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Sintra nunca mostrou o mínimo desconforto, chegando a afirmar que os azulejos até nem tinham importância por aí além…
Perante «isto» o que acham? Olhem, pelo menos, tenham dó dos sintrenses que sofrem com tanta falta de senso por parte de quem, efectivamente, não estando à altura de Sintra, pretende continuar a representar os munícipes…

 

João de Oliveira Cachado (texto e foto) https://www.facebook.com/joao.cachado/posts/10209482387632795

 

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