Conforme referido no artigo de 14 de Junho último, olharemos agora para os conteúdos comunicacionais dos seguintes órgãos de comunicação: Correio de Sintra (CS), Jornal da Região (JR), Jornal de Sintra (JS), Tudo Sobre Sintra (TSS), Sintra Notícias (SN) e Saloia TV (STV), na base da selecção de algumas categorias de análise e referência aos géneros e discursos utilizados. Como se compreenderá, no contexto deste artigo, trata-se apenas de uma brevíssima aproximação a um fenómeno complexo.

Neste sentido, foi possível identificar para aquele conjunto, as seguintes categorias mais relevantes: política, sociedade, cultura, desporto, e economia. O género de suporte é sobretudo a notícia, na maioria dos casos breve. Com menor frequência surge a entrevista, a reportagem, e a análise. Predomina o discurso escrito, com a excepção do caso da STV (visual).

Nesta moldura, é possível detectar-se uma fraca amplitude nas variações temáticas mais relevantes, de que é exemplo maior o tratamento dispensado à dimensão política concelhia. Embora com intuitos diferentes entre si, o referente dominante é a actividade da Câmara Municipal. Para sermos mais rigorosos, do seu presidente.

Esta opção redutora na abordagem da vida autárquica do concelho deixa de fora outras dinâmicas significativas decorrentes da actividade dos outros órgãos autárquicos: Assembleia Municipal, Juntas e Assembleias de Freguesia.

Este paradoxo, aliás, é alimentado pelos principais responsáveis autárquicos, que comungam desta lógica de presidencialização de um órgão que é colegial.

Com algumas excepções (JS e JR), de uma forma geral os conteúdos dos vários órgãos noticiosos aqui em causa, aparecem muito alinhados com os ciclos políticos, o que empobrece um dos princípios fundadores desta actividade: a transparência.

Um bom exemplo desta afirmação é-nos fornecido pela STV. A propósito de um vídeo intitulado “Hospital de Sintra o Grande Barrete”. A sua posição sobre o assunto, aliás legítima, é o que menos importa nesta análise. A construção do argumento é que revela a natureza da notícia que se transmite. Ao fazer uma breve memória das promessas sobre a construção do Hospital, na série apresentada, referiu as de 1999 (Guterres) e 2000 (Edite Estrela), mas omitiu as de 2003 e 2007. Porquê? Fica à curiosidade das e dos leitores descobrir os respectivos titulares!

O campo dos media, sendo o espaço privilegiado da expressão das tensões sociais, conforme já referido, deve dispor de mecanismos próprios cada vez mais rigorosos para que não nos sirvam (deliberadamente ou não) informação por propaganda.

A inteligências das e dos cidadãos agradece.

 

Valdemar Reis

 

Ver parte I clicando em baixo

https://transferidor.wordpress.com/2017/06/15/o-campo-dos-media-em-mudanca-i/

 

Foto media-unity-in-lynnwood

 

 

 

 

 

 

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