Trata-se, evidentemente, de uma emergência aquilo a que temos assistido na última semana. Emergência no duplo sentido etimológico da palavra. Porque do nada emergiu a necessidade de disparar dois anúncios e porque se trata de uma urgência na tentativa de salvar “a vida” eleitoral de Basílio Horta e do seu executivo que esteve em coma profundo durante três anos e meio e agora desperta em sobressalto no afã de recuperar o tempo perdido.

No espaço de uma semana anunciam-se dois hospitais – um privado e um semipúblico que afinal não é bem um hospital – criando a ilusão que se estão a resolver as reais necessidades do Concelho. Não é verdade. O Hospital da CUF irá apenas resolver os problemas de quem tem poder financeiro e bons seguros de saúde e o Hospital de Proximidade será uma extensão do Hospital Fernando da Fonseca (HFF/Polo de Sintra) cuja dimensão e valências estão muito longe de corresponder às reais necessidades dos 400 mil sintrenses e que será gerido por uma, já tristemente famosa, PPP (Parceria Público-privada).

Mas há muitos contornos estranhos e coincidentes que levantam dúvidas e questões. Relembre-se que o novo Hospital da CUF não nasceu agora do nada. É algo que já há muito está planeado pela Família Mello e que poderia ter sido anunciado há algum tempo. A mesma família que vendeu a Quinta Mont Fleuri à Câmara Municipal de Sintra por 3 milhões de Euros e que, agora sim oportunamente, anuncia mais um negócio na área da saúde no Município em cerimónia pomposa presidida pelo Presidente da CMS em edifício camarário. O mesmo Basílio Horta que, recebeu ministros numa tenda, uma semana antes anunciando o tal Hospital de Proximidade que, por questões de semântica propagandista, já passou por polo, unidade e quer parecer ser um Hospital graúdo. Confusos? Pois! É normal. Mas lendo com atenção os detalhes cada um pode tirar as suas conclusões e não será dificil.

E sobra a dúvida das dúvidas. Aquela que mais preocupa, ou deverá preocupar, todos os sintrenses que não têm dinheiro para ser atendidos no “luxo” da CUF ou que ficarão longe da proximidade do tal mini-hospital por a este lhe faltar capacidade de atender os tais 400 mil habitantes. É que com estes anúncios, e não deixando de dizer que qualquer unidade de saúde é sempre bem-vinda a um concelho com tantas carências, podemos estar a hipotecar todas as hipóteses de, num futuro próximo, ter um Centro Hospitalar com todas as competências necessárias, imperativas para servir a população e permitir até que os sintrenses possam nascer no seu Município e não em concelhos limítrofes.

Saídos do coma de 3 anos e meio, é normal a desorientação de quem quer agora correr e saltar em busca de uma milagrosa recuperação depois da total letargia e inação. Balbuciam-se anúncios e propaganda em catadupa e procuram dar passos apressados que mais não são do que tropeções sem nexo e promessas de uma esperança que já sabemos onde irá dar.

 

Carlos Miguel Saldanha

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