As últimas cenas sobre um equívoco “Hospital” (verdadeiro, é preciso…) transformaram algo muito sério numa caterva de confusões que não abonam os intervenientes.

Na realidade, os panos de fundo, substituindo cartazes com a promessa do Paraíso, trazem-nos o ZERO como resposta a uma carência com dezenas de anos,

Qual a pressa da Câmara – cedente do terreno – investir mais de duas dezenas de milhões de euros (nossos) num projecto que, à vista, servirá mais o Ministério da Saúde?

Com a palavrinha hospital para Sintra deslumbrar (e votar?) os internamentos não são para doentes lá assistidos, antes para libertar camas no Hospital Fernando da Fonseca.

Aguardemos, no futuro próximo, se tão nobre gesto com o dinheiro dos sintrenses será devidamente reconhecido e, sabe-se lá, premiado.

Os defensores – tão acérrimos – desta solução, que não o esqueçam, porque a vida não deixará de um dia os vir a responsabilizar pelas ilusões criadas.

 

Demasiado sério para trocadilhos

 

O Ministro diz: “não é um novo hospital, como o senhor presidente da Câmara de Sintra referiu”; O Presidente do Hospital Fernando da Fonseca diz: “Um Polo é melhor porque depende à mesma do HFF, e podemos evitar que as pessoas venham aqui à urgência”. “(…)ter meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica e camas de convalescença”

As personalidades acima, tendo em comum objectivos rigorosos sobre capacidade de respostas, foram muito claras e o que fuja disso só por deturpação intencional.

Infelizmente, em vez de ser o Presidente Camarário a convocar uma Sessão de Câmara Extraordinária sobre o “Hospital de Proximidade de Sintra”, seria um Sintrense – sabedor das carências de Sintra desde os mandatos da Dra. Edite Estrela – a fazê-lo.

O que é que isto quer dizer? Que política hospitalar é esta? Responda quem souber.

Inequivocamente, teremos (se tivermos…) uma estrutura ao nível de Urgência Básica Especializada (UBE), nunca correspondendo ao conceito de cobertura Hospitalar.

Por sinal, na mesma freguesia já há uma Urgência Básica como Extensão do Hospital Fernando da Fonseca, sobre cujas limitações a Câmara se tem silenciado.

A Urgência Básica de Mem Martins será encerrada? Os serviços não disponibilizados  já podem sê-lo na prometida para 2021? E porque não melhorar a actual?

Alguém já explicou as razões porque (já que lhe chamam “Hospital de Proximidade”) tal Unidade não tem autonomia de gestão…ficando dependente do HFF?

Por outro lado, há dúvidas que, já deviam ter sido esclarecidas. A Unidade (que não tem internamento) terá Banco de Urgências como é básico num Hospital?

Os meios de socorro (Ambulâncias e INEM) recorrem em primeira urgência a esta UBE ou seguem IC19 fora até ao Hospital/Sede que é o Fernando da Fonseca?

Além disso, pela tipologia propagandeada, os doentes acedem à UBE directamente (esvaziando os Centros de Saúde Primários) ou são enviados depois de triagem?

Na verdade, tudo indica que a questão de fundo é fazer um serviço ao Hospital Fernando da Fonseca, recebendo e mantendo à distância as camas de convalescença.

O Presidente da Câmara, em quarto ano de mandato, ao aludir a “400.000 pessoas necessitadas” apenas dá a entender que pouco conhece de Sintra.

O que é “proximidade”? Casal de Cambra a 20 quilómetros; até ao Cacém há distâncias maiores que os 10 quilómetros. Perto continuará o Hospital Fernando da Fonseca.

 

Era desta incerteza que os Sintrenses queriam?

 

Fernando Castelo  «» blogue Retalhos de Sintra

http://retalhos-de-sintra.blogspot.pt

 

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