Construído entre 1769 e 1780, contemporâneo das grandes realizações setecen- tistas do período bar- No passado dia 12, a Parques de Sintra inaugurou o Jardim Botânico do Palácio

Nacional de Queluz, após reabilitação de um espaço que faz parte do projeto global de recuperação dos Jardins, tendo como fundamental objectivo a restituição do traçado da cartografia de 1865 – apesar de a construção original remontar ao século XVIII – obra esta que representou um investimento de 815 mil euros. C roco-rococó nos Jardins de Queluz,

de pequena escala quando comparado com outros jardins botânicos desta época, o Jardim Botânico do Palácio Nacional de Queluz assume uma natureza de entretenimen- to e recreio. Ciclicamente destruído por fenómenos naturais e aban- donado, o Jardim Botânico perdeu a sua função original, tendo sofrido várias transfor- mações. Primeiramente, em 1940, passou à feição de roseiral e, em 1984, na sequência das cheias do ano anterior, foi desmontado para acolher a ampla área do picadeiro da Escola Portuguesa de Arte Equestre. Muito sumariamente, mencionados os ante- cedentes, passemos à recuperação do Jardim Botânico, que remonta a 2012, tendo consistido na reposição das quatro estufas, incluindo a

incorporação das cantarias originais das fundações, o restauro dos elementos pré- existentes, nomeadamente as balaustradas, os alegretes, bancos e painéis azulejares, as cantarias do lago central e a estatuária, com vista à restituição do desenho oitocentista do Jardim.

Foram também instalados os caminhos em saibro granítico, que delimitam 24 canteiros, representando os espaços necessários às plantações representativas das 24 ordens de plantas de Carlos Lineu – o famoso botânico, zoólogo e médico sueco que classificou hierarquicamente as espécies de seres vivos Aspecto do Jardim Botânico do Palácio de Queluz e, nas bordaduras dos referidos canteiros, lá estão, aproximadamente, 10 mil plantas de murta! No interior das estufas e, de acordo com os registos históricos encontrados, foram plantados ananases.

Ora bem, noutros tempos, se frutos tão sofisticados como estes supriam as necessidades dos banquetes de Queluz, então, fiquem sabendo que, na quente tarde da inauguração – citando Eça, na Correspondência de Fradique Mendes, bem poderia eu dizer que estava de ananases – todos nós, convidados da Parques de Sintra, nos pudemos regalar com refrescos a preceito, a partir de sumo de ananás já produzido nas mesmas estufas!… Para que tenham uma ideia da excepcional dinâmica das bem concretas, palpáveis e visíveis iniciativas da Parques de Sintra, tenham em consideração que, precisamente, uma hora depois da cerimónia de inauguração que acabo de vos dar conta, o seu Presidente do Conselho de Administração, Dr. Manuel Baptista, com os representantes do ICNF e da Empresa de Ambiente de Cascais, já assinava o protocolo de gestão da Quinta da Peninha, nos termos do qual a Parques de Sintra assegurará a reabilitação e gestão do conjunto edificado, enquanto que a Empresa Municipal de Ambiente de Cascais garante a gestão da parte rústica,prevendo-se a preparação de um plano de gestão para a área! Fantástico,não é? Noutra sintrense dimensão… A segunda parte deste meu texto

parece referir-se a outra que, afinal, é a bem mais concreta situação de Sintra. A verdade é que, não podendo tapar o Sol com a peneira, sou obrigado a reduzir-me à conclusão de que o sereno, bem programado e bem sustentado percurso de realizações, através das quais a Parques de Sintra continua a beneficiar Sintra, os sintrenses e visitantes, não tem réplica minimamente condigna por parte do actual executivo autárquico.

Pelo contrário, especialmente na sede de concelho, onde tão difícil e crítico é actuar e realizar obras absolutamente inadiáveis – por exemplo, afins da resolução da questão do estacionamento e da recuperação do próprio património imobiliário municipal – a Câmara Municipal de Sintra continua, isso sim, numa atitude de desnorte cujas consequências suscitam tanto desgosto como natural desânimo. Nos últimos quatro anos, a patente e evidente estratégia de concentrar e privilegiar a sua intervenção nas freguesias, onde se concentra o grosso dos eleitores, resultou no lamentável quadro do tão negativo abandono a que foi votada aquela área central e vital do território concelhio, onde a necessidade de resolução de questões de promordial importância, acaba por ser directamente proporcional àquela que se revelou como proverbial incapacidade do Presidente da Câmara e dos Vereadores mais envolvidos.

Aliás, ainda como se fosse necessário sublinhar, os mesmos responsáveis que não perdem uma oportunidade para evidenciarem as suas tácticas em vésperas de eleições locais. Tão a propósito, como poderia eu finalizar sem vos chamar a atenção para a primária e eleiçoeira manobra em curso na Portela? Tratar-se-á mesmo de terraplanagens afins da instalação de parque algum de estaciona- mento? Coloco, sim, este e todos os pontos de interrogação necessários porque razões não faltam para duvidar. Reparem que, há dois anos, em reunião nos Paços do Concelho, com representantes da Associação de Defesa do Património de Sintra, da Canaferrim e da Alagamares, os Senhores Vice-Presidente e Vereador com o Pelouro da Mobilidade Urbana da Câmara Municipal de Sintra, tiveram o desplante de prometer, para o Verão de 2016, a operacionalidade dos parques de estacionamento periférico… Como é possível que, democraticamente eleito, haja quem se permita desrespeitar, caricaturar, tão perversa e grosseiramente, o mandato que recebeu? E, desta vez, em 1 de Outubro próximo futuro, já decorrido um quadriénio suficientemente elucidativo, estarão preparados os eleitores para se expressarem de acordo com as suas conveniências?

 

João de Oliveira Cachado » https://www.facebook.com/joao.cachado?hc_ref=SEARCH&fref=nf

 

Foto Parques Sintra Monte da Lua

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