Grotesco

 

«Luisa Salgueiro, dita a cigana e não é só pelo aspecto, paga os favores que recebe com votos alinhados com os centralistas.»

Foi nestes termos que um eurodeputado do Partido Socialista se referiu a uma deputada do seu partido no Parlamento de Portugal. Temos portanto um deputado que acha que os ciganos têm um determinado aspeto e têm comportamentos de baixo nível próprios da sua etnia. Se este deputado fosse do partido da Le Pen teria sido notícia por racismo, mas como é de um partido que desde sempre se opôs ao racismo a sua condenação é abafada pelo sentimento de vergonha.

Qualquer português que não seja racista sente vergonha de ser concidadão desta personagem, os portugueses têm razões para que o país não seja representado por este deputado no parlamento europeu, o partido Socialista tem nele uma mancha que envergonha toda a esquerda, daí a resposta pronta de António Costa.

Mas este senhor além de grotesco revela pouca inteligência, só alguém com grandes debilidades ao nível da capacidade intelectual escreveria o que ele escreveu, dito desta forma sincera são raros os casos de racismo nesta forma pura, em que se considera que uma etnia ou raça tem uma natureza maldosa. Julgo que só mesmo o nazismo se aproximava desta abordagem em relação aos judeus.

Mas o ainda e vergonhosamente deputado europeu acha que não escreveu nada condenável e agora usa a sua página de Twitter para tentar denegrir deputados como João Galamba, tenta a todo o custo colocar-se na posição de quem está a ser atacado por ter sido um aliado de José Seguro. Tenta trazer Seguro para a sua pocilga ao mesmo tempo que procura atingir António Costa enlameando o nome de João Galamba, alguém que tem mais qualidades e inteligência na ponta de um dedo do que o eurodeputado em todo o seu esponjoso volume.

Esperemos que Seguro e os seus mais íntimos não se deixem emporcalhar pelo seu velho companheiro de viagem e que o PS se mobilize para extrair este furúnculo.

 

In Blog O Jumento

 

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O interesse nacional é um assunto privado de sua excelência o senhor primeiro-ministro

 

A Geringonça fez da TAP uma das suas bandeiras. Como se fosse um assunto de vida ou de morte, entrou a matar no dossier logo nos primeiros dias de governação. Reverteu a privatização, pôs o Estado português a dar o dito pelo não dito, afastou investidores, e tudo porque a TAP era, supostamente, uma bandeira do país, património dos portugueses e tinha de continuar pública. Perante o aplauso dos anteriormente indignados, o primeiro-ministro pôs a representar o Estado português nas negociações um advogado de quem esse país nunca tinha ouvido falar e a quem não tinha como pedir responsabilidades. Porquê? Porque era, disse Costa, o seu “melhor amigo”.

Sempre com os indignados felizes da vida, o amigo de Costa conseguiu o seguinte resultado retumbante: o direito a seis lugares na administração da agora híbrida TAP. Não conseguiu mais nada. Fez de Portugal um interlocutor pouco confiável, afugentou investidores durante anos, fez aquele tipo de coisa que faz com que Portugal continue a ser “lixo” para as agências de notação e que tanto custam a perceber ao senhor primeiro-ministro, para dar a Costa seis lugares de administrador, com os respectivos ordenados, bónus, carros, cartões de crédito e privilégios em geral. Nada mais. A TAP abre e fecha as rotas que quer, pratica os preços que quer, aposta nos aeroportos que quer, como faria se fosse privada e com os privados a assumirem as respectivas responsabilidades; e o Estado português divide essas responsabilidades em troca de seis administradores sem voto em nenhuma matéria que importe.

Com os notáveis dos “Não TAP os olhos” e afins caladinhos e felizes e um Presidente a quem aparentemente elegemos para fazer o papel de ursinho carinhoso, Diogo Lacerda Machado continuou a representar o Estado português noutros negócios nessa inaudita qualidade de “melhor amigo do primeiro-ministro”. Não fez confusão ao dito, nem ao Presidente dos afectos, nem aos indignados, nem aos apaixonados da geringonça em geral, que, no exercício das suas funções, António Costa não possa ser António Costa, o homem que tem amigos, parentes, inimigos e uma vida pessoal em geral com a qual nada temos a ver, mas sim o primeiro-ministro, o chefe do Governo português. E o chefe do Governo, como o chefe de qualquer Governo, não tem amigos, mas esta prerrogativa tão simples parece de difícil compreensão para Costa e demais pessoal afectivo. Enquanto não põe alguém à frente do Banco de Portugal por ser, sabe-se lá, sua prima, o primeiro-ministro vai reincidindo na proveitosa confusão, entre outros, a propósito da bronca da Caixa (ainda que mais uma vez Presidente da República e outros fãs do estilo não tenham visto problema em que Costa considerasse assunto “privado” as mensagens trocadas entre o ministro das Finanças e o administrador do banco público).

Agora, tudo culmina na “escolha” de Diogo Lacerda Machado para, hélas, administrador da TAP. Está encontrado o Armando Vara de Costa, insigne figura que, num dia, concluía o curso de Economia e, no outro, saltava para administrador dos dois maiores bancos portugueses.

Enquanto isso, os indignados da ”Não TAP os olhos” permaneciam desaparecidos em parte incerta, e o Presidente e o melhor amigo de Lacerda celebravam no Brasil as maravilhas do Dia de Portugal.

Que Portugal? O que permite que tudo isto aconteça, enquanto vai sorrindo e acenando.

 

Alexandre Borges » blog 31 da armada

http://31daarmada.blogs.sapo.pt/

 

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Do incompreensível

 

Ontem, dia 20 de junho de 2017, em pleno Luto Nacional pela catástrofe que assolou Pedrógão Grande e o país durante o fim de semana, antes ainda de terem decorrido os funerais das vítimas, o PS Gaia fez a festa de apresentação de mais uma candidatura autárquica.

Será este o sentido que toma a tal “grande consternação” e a “solidariedade com as vítimas” manifestadas pela classe política?

Na imagem (recolhida durante a sessão): Eduardo Vítor Rodrigues, secretário nacional do Partido Socialista e presidente da Câmara de Gaia, ao lado de Maria José Gamboa, candidata do PS a uma Junta de Freguesia, durante a sessão de apresentação da sua candidatura. Sem palavras.

 

Bruno Santos » blog Aventar

https://aventar.eu/

 

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A cínica e indecorosa montagem mediática a que o IPMA se prestou

 

Tenho procurado evitar, agora, a discussão de responsabilidades políticas no fogo de Pedrógão Grande: é cedo, tenho pouca informação e prefiro não correr o risco de ser injusto.

Mas o que é de mais é moléstia.

O Governo num primeiro momento ensaiou a clássica estratégia mediática de contenção de danos, desvalorizando o que se estava a passar. Até aqui está dentro do cinismo típico de quase todos os governos nestas circunstâncias. E a probabilidade de ter sucesso nesta operação de comunicação seria muito elevada, não se desse o caso de ser impossível desvalorizar a dimensão da catástrofe humana.

Rapidamente o governo virou a agulha e passa agora todo o tempo a procurar consolidar a ideia de que condições meteorológicas excepcionais e imprevisíveis ocorreram e ninguém pode estar preparado para o desconhecido.

Nessa tentativa de manipulação (infelizmente não há jornalista que pergunte “se assim foi, o governo está a dizer que quando houver outra vez condições extremas como estas, as pessoas comuns que se amanhem porque o Estado não sabe o que fazer?”) desempenha um papel essencial a credibilização científica da teoria de que ocorreram condições meteorológicas absolutamente excepcionais e imprevisíveis (“um nevão no Algarve em Agosto”, para usar o exemplo de João Miguel Tavares).

É absolutamente indecorosa a utilização de serviços técnicos do Estado, como o IPMA (António Costa fez parte de um governo que usou o mesmo esquema com o Banco de Portugal a calcular défices virtuais para abrir espaço político ao aumento do défice do primeiro ano dos governos Sócrates, portanto sabe muito bem como isto se faz e acha normal) da forma como está a ser feita, prestando-se o IPMA e o seu presidente a colaborar no embuste.

O que o IPMA tinha a fazer era simplesmente dizer o que é tecnicamente razoável, que sim, que houve condições meteorológicas extremas, relativamente raras, mas que sempre existiram e sempre existirão.

Ao prestar-se à pura manipulação política como a que foi montada, com o primeiro ministro a fazer perguntas formais retóricas e o IPMA a mandar respostas encenadas (quem não se lembra das encenações de Costa fingindo estar a negociar com a coligação que ganhou as eleições, ao mesmo tempo que montava uma solução alternativa que pressupunha a ausência de resultados dessas supostas negociações), o IPMA diminui-se a si próprio e mina a sua credibilidade, contribuindo para a desconfiança das pessoas comuns em relação a um Estado completamente enfeudado à conveniência política do governo.

 

O IPMA resolveu contribuir para a chuva dissolvente que cai sobre as instituições públicas em Portugal, infelizmente.

 

Henrique Pereira dos Santos » blog Corta-fitas

http://corta-fitas.blogs.sapo.pt/

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