A comunicação é um direito de cada um. Comunicar é em primeiro lugar exprimir: “eu tenho alguma coisa a dizer”. Mas exprimir-se não chega para garantir a comunicação, porque ela deixa de fora uma condição essencial da comunicação: saber se o outro escuta e se está interessado no que eu digo.

Dominique Wolton, 2005

 

Parece relativamente consensual a existência de uma espécie de contaminação do espaço mediático por um novo tipo de discurso (s), com repercussões evidentes na reconfiguração do campo dos media.

Na génese deste fenómeno encontram-se a proliferação de novas técnicas e dispositivos informacionais, que facilitam uma deriva discursiva onde confluem todo o tipo de objectivos e interesses sociais. O que coloca problemas sérios ao modelo clássico de comunicação – o jornalismo. Neste, a publicitação, pelo menos em tese, significa um acto desinteressado de tornar público.

A comunicação enquanto símbolo da liberdade e da democracia exige condições de sustentação, cada vez mais difíceis de suportar, quer em termos tecnológicos, quer em recursos humanos próprios. As estruturas empresariais dos meios de comunicação social, dada a sua especificidade, há muito que se confrontam com a questão sobre a sua prioridade: deve ser orientada para o lucro ou para o serviço público?

Neste “dilema”, o campo dos media, enquanto espaço privilegiado da expressão das tensões sociais, relaciona-se, ele próprio, com os outros campos de forma conflitual, em particular com o económico e o político.

A sua legitimidade será tanto maior quanto melhor resistir aos tradicionais mecanismos de manipulação que sempre caracterizaram aqueles dois campos em particular.

No Concelho de Sintra, onde os media locais sempre desempenharam um papel de relevo na mobilização da opinião pública, as questões brevemente acima referidas, próprias de um mundo comunicacional mais global, também se fazem sentir.

Duas referências importantes no contexto sintrense mostram-nos como. O levantamento da história da comunicação social de Sintra desde o início do séc. XIX até aos nossos dias, por João Rodil (in http://sintracanal.blogspot.pt, em 14/6/2017), e o ranking dos media com mais audiência (www.facebook.com/saloia, idem) sublinham a mudança clara de paradigma em termos do suporte informacional, por um lado, e a preeminência do áudio visual, por outro.

A dimensão mais decisiva desta problemática – os conteúdos comunicacionais – merecem uma atenção particular e constituirão, por isso mesmo, a segunda parte deste artigo para uma melhor visão de conjunto.

 

Valdemar Reis

(foto Media Unity in Lynnwood)

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