Nos dias que correm é ensurdecedor o ruído provocado por um sem número de órgãos de comunicação social somados à emergência das redes sociais, de blogs,” vlogs” e outras ferramentas que colocam na mão de todos nós a capacidade de emitir opinião. Todavia, à quantidade, há que contrapor a qualidade e, sobretudo, o critério que permita aos leitores, espectadores e utilizadores optarem pelos que, sem subterfúgios, cumprem a sua missão e estatuto editorial.

Quem vive em Sintra já conheceu vários projetos editoriais, quer na forma impressa quer nas plataformas digitais, seja na forma escrita ou na vertente vídeo e, decerto, que as características deste ou daquele jornal, blog ou tv digital são razão de escolha da individual e inevitável atenção seletiva de cada um. O que é grave é a descredibilização do exercício do jornalismo, das atividades inerentes ao exercício da comunicação. E isso acontece porque se criam ferramentas de comunicação (digitais e não só) que mais não são do que encobertos instrumentos de propaganda ao serviço de entidades públicas ou privadas que sustentam os ditos editores ou escribas. E aqui reside o cerne da questão. No engano perpetrado por quem anuncia isenção, imparcialidade e ética mas usa de práticas enganosas na redação e escolha dos conteúdos.

Tomemos como exemplo dois projetos e percebamos as diferenças.

Atentemos ao Estatuto Editorial do Sintra Noticias (que me habituei a apelidar de PSintranoticias). Consta por lá que se rege “por critérios de rigor e imparcialidade no tratamento da matéria informativa” e “assume a sua independência institucional, ideológica, política e económica na seleção e tratamento dos conteúdos informativos”. Basta uma pequena análise de conteúdos e um olhar transversal ao publicado para se perceber que tal estatuto não passa de demagogia e de uma cortina de fumo para tentar tapar a evidência. Definitivamente não é eticamente nem deontologicamente correto por enganar que espera encontrar um jornal que se diz isento.

Veja-se agora a Saloia TV. Projeto de autor, fundado e dinamizado com fundos particulares, diz na sua apresentação que tem por missão levar as Empresas, os Eventos e as potencialidades da Região Saloia a todo o mundo. Assumidamente defendem e apoiam quem, no seu entender, corresponde aos ideais que estão na sua génese sem se escudarem em chavões politicamente corretos. Estão no seu legítimo direito e não enganam o seu público pela frontalidade com que abordam e assumem a sua postura e missão.

Mas Sintra merece um panorama diferente. Fundado por António Medina Junior, o Jornal de Sintra prossegue incansável o seu bom trabalho numa tarefa, adivinho eu, ciclópica de sobrevivência. Fazendo jus ao seu passado e aos seus princípios percebe-se que falta robustez e, sobretudo um trabalho de atualização e de adequação às novas realidades digitais. Uma referência que urge apoiar e consolidar. Outros projetos editoriais apresentam-se mais fortes na vertente comercial mas, na minha opinião, pecam nos conteúdos disponibilizados sobre Sintra e sobre as suas populações e na informação que deveriam prestar.

Nas rádios o panorama não difere muito do exposto com a Radio Ocidente a desaparecer “do ar” mantendo-se nas redes sociais como repositório do Sintra Noticias e a RCS (Rádio Clube de Sintra) tem um perfil meramente religioso.

Como munícipe, como sintrense, considero que temos regredido neste setor com graves repercussões na comunidade. Falta um projeto abrangente de jornalismo, plural, livre, isento e ética e deontologicamente responsável que ocupasse de forma dinâmica as diversas plataformas de comunicação (Jornalismo impresso e digital, presença forte nas redes sociais, rádio e televisão digital) unindo sinergias e chegando a uma maior diversidade de públicos-alvo. Quem sabe este nosso Transferidor não será um ponto de partida.

 

Carlos Miguel Saldanha

 

 

Anúncios