Sete anos depois – sem que, nesta manhã, já me tenha apercebido de qualquer nota que o lembre – permitirão que o articule com Sintra e, neste contexto, reproduzindo excertos de textos que escreveu acerca de uma das nossas mais queridas casas.

E, como não poderia deixar de suceder, ao lembrar «Saramago na Pena», aqui vai uma saudação muito especial à minha querida Marta Oliveira Sonius, chamando a sua atenção não só para a referência ao «nosso» barão mas também para um D. Fernando ‘alemão’…

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Sintra,

a Pena,

na pena de Saramago

 

Como tantas vezes faço, ao falar da Pena, também desta vez, darei a palavra a Saramago. É do seu livro “Viagem a Portugal” que extraio as seguintes passagens sugeridas por esta impositiva foto da Porta do Tritão:

“[…] Explicar o Palácio da Pena é aventura em que o viajante não se meterá. Já não é pequeno trabalho vê-lo, aguentar o choque desta confusão de estilos, passar em dez passos para o manuelino, do mudéjar para o neoclássico, e de tudo isto para invenções com poucos pés e nenhuma cabeça.

Mas o que não se pode negar é que, visto de longe, o palácio apresenta uma aparência de unidade arquitectónica invulgar, que provavelmente lhe virá muito mais da sua perfeita integração na paisagem do que da relação das suas próprias massas entre si. […]” *

 

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Entre citações, permitam que, por exemplo, lembre muitas acções de formação, no domínio das técnicas de Animação da Leitura, que promovi na qualidade de Técnico do Ministério da Educação, dirigidas a professores dos diferentes níveis de ensino, durante as quais, entre outros, me socorri deste texto de Saramago:

 

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“[…] A torre briga claramente com o grande torreão cilíndrico do outro extremo, e este pertence a família diferente dos mais pequenos torreões oitavados que ladeiam a Porta do Tritão. Grandeza e unidade têm-na os fortíssimos arcos que amparam os terraços superiores e as galerias.

Aqui encontraria o viajante uma sugestão para Gaudi se não fosse mais exacto terem bebido nas mesmas fontes exóticas o grande arquitecto catalão e o engenheiro militar alemão Von Eschwege, que veio à Pena por mando doutro alemão, D. Fernando de Saxe-Coburgo Gotha, dar corpo a delírios românticos muito do gosto germânico. É porém verdade que sem o Palácio da Pena a serra de Sintra não seria o que é. […]”

 

* SARAMAGO, José, Viagem a Portugal, Círculo de Leitores ed., Lisboa, 1981

 

João de Oliveira Cachado » blog Sintra do Avesso » http://sintradoavesso.blogspot.pt/

 

[Ilustr: José Saramago; Sintra, Palácio da Pena, Janela do Tritão, detalhe]

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