As recentes declarações de uma dirigente nacional do PS sobre a inclusão de militantes deste partido na lista do independente Rui Moreira, na sua recandidatura à Câmara do Porto, são um contributo claro para se perceber a forma como este partido encara as candidaturas independentes. Adaptadas à realidade sintrense e para quem tivesse dúvidas, foi um precioso, e inadvertido, contributo para se perceber um dos eixos da estratégia em relação à candidatura de Marco Almeida. Estamos perante uma cartilha eloquente para ser aplicada a nível nacional, especialmente nas autarquias onde a victória do PS está longe de estar garantida, como é o caso de Sintra.

Numa entrevista ao jornal digital Observador, Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS, à pergunta: “Na noite eleitoral, quando contabilizar os votos, vai contar os votos em Rui Moreira, no Porto, como votos no PS?”, respondeu “(…) Todas as vitórias dos candidatos do PS e das listas que o PS integra serão vitórias do PS”. E se qualquer dúvida existisse, a resposta seguinte pôs tudo em pratos limpos. “Portanto, contabilizará os votos de Rui Moreira como votos no PS?”. Resposta da Secretária- Geral Adjunta do PS: “Foi a aposta que o PS fez e por isso…”. Daí se concluir que para o PS, as candidaturas independentes não existem, ou são apenas uma espécie de testa-de-ferro dos partidos. As victórias nunca serão dos candidatos independentes, mesmo que estes se apoiem em movimentos com trabalho de anos no terreno, seja no Poder seja na oposição, como acontece em Sintra com o candidato Marco Almeida que, depois de ter lançado a sua candidatura, foi apoiado por forças partidárias, entre elas o PSD.

Diante respostas tão eloquentes, como as da dirigente do PS, que não é uma dirigente qualquer mas com elevadas responsabilidades na máquina partidária, já que é a  Coordenadora autárquica, será necessário fazer um desenho para se perceber que vem na mesma cartilha o slogan repetido à exaustão pelo PS/Basílio Horta em Sintra, e que liga a eventual victória de Marco Almeida, a uma victória do PSD  – o mesmo PSD, de Passos Coelho, que viabiliza a actual solução governativa e segura Basílio Horta na Presidência desde 2013? Será que é preciso fazer um desenho para perceber que, no caso de Sintra, o slogan ainda é mais cacofónico diante da desmotivação interna gerada por uma governação autocrática e errática, e pela imposição, a nível nacional,* da recandidatura de Basílio Horta, afastando assim a possibilidade de ser um socialista a encabeçar a lista do PS? Desmotivação que, pelos vistos, não é só local tendo em conta o ostracismo a que foi votado o fundador do CDS, na última Convenção Autárquica do PS…

 

 

João de Mello Alvim  ##  blog Três Parágrafos

https://wordpress.com/posts/tresparagrafossegundaedicao.wordpress.com

 

* E com o suspiro de alívio do grupo congregado pelo actual presidente da concelhia e vereador do desporto…

(entrevista completa de Ana Catarina Mendes   http://observador.pt/especiais/ana-catarina-mendes-a-vitoria-de-rui-moreira-sera-uma-vitoria-do-ps/ )

 

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