O MendesLeaks

 

Compreende-se a elegância com que António Costa ignora o papel que tem vindo a desempenhar desde que Marques Mendes assumiu as funções de “Garganta Funda” de Pedro Passos Coelho. No governo de Passos, Marques Mendes assumiu as funções de informador não oficial do governo, divulgando aquilo que convinha a Passos que fosse Marques Mendes a comunicar.

Com o fim do governo de Passos Coelho seria de esperar que Marques Mendes não sobrevivesse enquanto comentador. Seria de esperar que que tivesse menos acesso à informação, passando a ter que se esforçar para opinar com qualidade os acontecimentos do dia a dia. Mas Marques Mendes estava tão habituado ao papel de bisbilhoteira nacional, que lhe dava tanto destaque, que não desistiu do papel.

Perdendo as funções de bisbilhoteira oficial do regime parece que Marques Mendes se transformou numa espécie de MendesLeaks, o TugaLeakes ao serviço da direita. Não faltam no poder ilhas do PSD com acesso a informação confidencial que Marques Mendes usa em proveito da sua imagem e em benefício da direita. O esquema das nomeações por concurso permitiu ao PSD ter antenas em grande parte dos serviços do Estado, desde a REPER em Bruxelas até à mais modesta Direção Geral. Não se sabe muito bem o que ganham os que confidenciam a Marques Mendes o que é suposto ser confidencial, mas sabemos que o tráfico da informação confidencial do Estado proporciona grandes lucros a Marques Mendes; desde logo os honorários que a SIC lhe paga, bem como os benefícios indiretos proporcionados pelo poder que o estatuto lhe confere.

Quando o MendesLeaks torna pública a proposta feita pelo BdP em relação à venda do Novo Banco, ou quando antecipa dados estatísticos do INE Marques Mendes viola todos os princípios. Mas o governo é obrigado a ignorar o trabalho sujo do Conselheiro de Estado, se mexer um dedo cai o Carmo e a Trindade, surgirão as queixas de asfixia democrática e não seria de admirar se Marques Mendes pedisse para ser recebido pelo residente da República, para se queixar da perseguição do governo das perigosas esquerdas.

Já o que pensa Marcelo Rebelo de Sousa sobre o papel estranho que o seu conselheiro desempenha em prol do apodrecimento do sistema político deverá ser só da sua conta. Isso não deixa de ser estranho, já que parece que a Presidência da República é a única instituição nacional que se escapa à rede de informadores do MendesLeaks. Só Deus sabe se é Marques Mendes que se abstém de bufar as informações confidenciais da Presidência da República ou se o faz por pensar que dessa forma não prejudica o Presidente.

Imagino que este país é um Estado de direito e que a divulgação de matérias que deveriam ser mantidas em segredo, até que fossem divulgadas pelas entidades competentes, constitui matéria que pode violar alguma lei. A questão está em saber se Marques Mendes pode manter a sua MendesLeaks em total impunidade e perante a passividade de todos os órgãos de soberania, como se qualquer badameco pudesse transformar o Estado num passador de informação.

 

Blog O Jumento

http://jumento.blogspot.pt/2017/05/o-mendesleaks.html

 

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Sete razões que explicam o forte crescimento da economia portuguesa no 1º trimestre

  1. Retoma do crescimento mundial: a desaceleração abrupta do crescimento económico na China, os riscos associados de uma nova crise financeira e as incertezas políticas em países centrais (e.g., referendo britânico, eleições nos EUA) levaram a um forte abrandamento da economia mundial entre o final de 2015 e a primeira metade de 2016 (os países da OCDE cresceram abaixo de 2% nos primeiros três trimestres de 2016, algo que não aconteceu antes nem depois). A UE reagiu reduzindo a pressão austeritária. À medida que a tensão desanuviou, o crescimento mundial regressou e com ele a procura externa dirigida à economia nacional.

 

  1. Desvalorização cambial: o euro desvalorizou face ao dólar no primeiro trimestre de 2017 (de cerca de 1€=1,10$ no trimestre homólogo para cerca de 1€=1,05), dando uma ajuda à competitividade-preço das exportações da zona euro face a concorrentes de várias partes do mundo que vendem em moeda americana.

 

  1. Crescimento e desvio do turismo internacional: o crescimento económico mundial, a desvalorização do euro, a instabilidade que se vive em várias partes do mundo e a relativa segurança de Portugal (e.g., ausência de guerra e terrorismo) por comparação com outros destinos concorrentes, têm favorecido a actividade turística em Portugal. Como resultado,os proveitos da hotelaria estão a crescer acima de 10% há 21 meses consecutivos.

 

  1. Continuação da descida das taxas de juro: a Euribor a 6 meses não parou de cair no último ano – rondava os -0,15% no início de 2016 e passou para cerca de -0,25% no início de 2017. Isto cria condições favoráveis à actividade económica em geral e ao investimento em particular.

 

  1. Aumento da confiança: os factores acima referidos contribuem para melhorar a confiança dos agentes económicos. A política de devolução de rendimentos, o aumento do salário mínimo, a criação de emprego (em parte explicada pelo contexto internacional favorável) e, acima de tudo, o fim do discurso governamental sobre a perpetuação da pobreza e das dificuldades, explicam boa parte da forte recuperação da confiança dos consumidores. Confiança gera procura, procura gera actividade, actividade gera investimento, investimento cria emprego, emprego gera rendimentos, rendimentos geram procura, etc.

 

  1. Estabilização do sector bancário: um das fontes principais de desaceleração da economia portuguesa no início de 2016 foi a incerteza sobre a situação da banca. O conjunto de intervenções ocorridas desde então (resolução do BANIF, capitalização da CGD, reorganização accionista do BCP e do BPI), a par da melhoria da situação económica, contribuiram para estabilizar a situação na banca. Isto reflecte-se na confiança geral na economia portuguesa e nas condições de financiamento às actividades económicas.

 

  1. Retoma da construção e do imobiliário: crescimento do turismo, melhoria das condições de financiamento e aumento dos rendimentos das famílias – tudo isto, juntamente com uma utilização mais intensiva dos fundos europeus (a que provavelmente não é alheio o facto de ser ano de eleições autárquicas), contribui para uma retoma da construção, sector que vive em crise há mais de 15 anos. As vendas de cimento cresceram 19,2% no 1º trimestre de 2017, de longe o valor mais elevado do último quinquénio. O mesmo se passa no imobiliário: a avaliação bancária das habitações está a aproximar-se dos níveis pré-crise. Não o sabemos ainda, mas é provável que a retoma da construção seja o factor mais relevante por detrás do aumento do investimento (segundo o INE, um dos motores do bom desempenho do PIB português neste início de ano).

 

Eduardo Paes Mamede  #  Blog Ladrões de Bicicletas

http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2017/05/sete-razoes-que-explicam-o-forte.html?spref=fb

 

 

 

 

 

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