As estações de Cristas

 

Já sabíamos que há jovens empreendedores em Lisboa a vender louro prensado fazendo-se passar por marijuana. Ontem, ficámos a saber que o inverso também acontece. Não sei exactamente com o que é que Cristas temperou a comida ao almoço, mas espero que prendam o seu merceeiro rapidamente (embora aceite que possa ter sido uma grande superfície a vingar-se da taxa Cristas). Pese embora não seja uma ideia original (já em 2009 António Costa e Ana Paula Vitorino andavam a prometer mais 30 estações), entretanto aconteceu uma crise económica, os portugueses sofreram com a austeridade resultante dessa forma de pensar que ainda vigorava em 2009 e a maioria dos políticos deveriam ter aprendido a lição. Que Cristas, alguém que esteve no governo que sofreu na pele os problemas de ter que aplicar essa austeridade, não perceba, é um problema.

Mas há um outro problema maior, que tem escapado à maioria dos analistas. Cristas é candidata à Câmara Municipal de Lisboa, mas no parlamento é deputada por Leiria. E foi no parlamento, onde é deputada por Leiria, que Cristas foi fazer campanha para a Câmara de Lisboa. Não basta o plano ser absurdo, é também um desrespeito para com os seus eleitores de Leiria, utilizar o cargo para defender os interesses (?) dos Lisboetas. A não ser que a ideia das 20 estações seja ligar Lisboa a Leiria.

Há certas excitações que convém temperar. Com o louro certo, claro.

 

Carlos Guimarães Pinto  ##  blog O Insurgente

https://oinsurgente.org/2017/05/11/as-estacoes-de-cristas/

 

 

 

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Costa, o mentiroso compulsivo

 

António Costa fala com a leviandade de um irresponsável. Nem parece Primeiro-ministro de um país ocidental e evoluído. Quem estiver atento às suas intervenções e tiver um conhecimento relativamente mediano do assunto, facilmente o apanha a mentir descaradamente. Hoje, voltou ao velho vício e, mais uma vez, sem que nenhum órgão de comunicação social o tenha denunciado ou desmentido. Costuma-se dizer que a qualidade da democracia depende muito da qualidade do jornalismo. E em Portugal, ambos andam pela rua da amargura.

Neste ataque que lançou ao anterior governo e ao antigo ministro Miguel Poiares Maduro, disse no mínimo três mentiras que facilmente qualquer jornalista minimamente informado o desmentiria. A primeira é mais óbvia: disse que o processo de transição do Portugal 2020 teve tantos problemas que “o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional foi substituído por um novo”. Ora isto é simplesmente falso, pois Manuel Castro Almeida foi o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional durante os dois anos e meio em que Poiares Maduro foi ministro. Mas será que nenhum jornalista que transcreveu a propaganda de Costa sabe disto?

Mas as mentiras de Costa não se ficaram por aqui. Afirmou também que Portugal teve muitos problemas com a execução do QREN. Mas não sabem Costa e os jornalistas que Portugal liderou a taxa de execução do QREN a nível europeu, desde 2011 até ao seu término? Como Portugal podia ter tido problemas, se foi quem foi mais competente? Do que fala Costa? Ninguém sabe.

Outra mentira que Costa disse e que tem sido repetida por todos os propagandistas socialistas: Portugal não estava a executar bem o Portugal 2020. Ora, Portugal foi o primeiro país da União Europeia a preparar o novo quadro, tendo a própria comissária europeia responsável por esta pasta admitido isso várias vezes. Quando PSD/CDS deixaram o governo, Portugal liderava a execução do actual quadro e estavam abertos 516 concursos abertos, sendo que 299 já estavam encerrados. Ficou ainda fechado um calendário de concursos aprovados até setembro de 2016, os quais representavam uma dotação de cerca de 8 mil milhões de euros. As candidaturas aprovadas correspondiam a 3,6 mil milhões de euros em novembro de 2015. Em 2016, a execução do Portugal 2020 abrandou decisivamente, isto por opção política do governo socialista. Aliás, não é por acaso que o investimento público em 2016 foi o mais baixo de sempre da democracia.

Perante estas mentiras de Costa, qualquer pessoa de boa fé esperaria que os órgãos de comunicação social fossem obrigados a repor a verdade. Tal não aconteceu até ao momento.

 

PS: Não fico surpreendido que Miguel Poiares Maduro tenha respondido de forma tão suave e bem disposta ao mentiroso António Costa. Quem está habituado a lidar com os russos na FIFA pode bem com um fanfarão como Costa.

 

 

Nuno Gouveia  ##  blog 31 da Armada

http://31daarmada.blogs.sapo.pt/costa-o-mentiroso-compulsivo-6880558

 

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Salvar a cara

 

A direita no Parlamento tem hoje dois tipos de discurso, sem se aperceber – ou apercebendo-se e enganando – que defende duas ideias contraditórias.

Luís Montenegro, líder da bancada do PSD, disse hoje, no debate quinzenal, que os números do emprego escondem que cada vez há mais trabalhadores a receber o salário mínimo nacional (SMN). E que, se o emprego cresce, é por causa das reformas laborais aprovadas em 2012.

É verdadeira a primeira ideia. Mas é verdadeira porque como os salários pouco têm evoluído, à medida que sobe o SMN, alarga-se o grupo de trabalhadores que o recebe. Ora, o gráfico mostra precisamente que desde 2011 as políticas seguidas fizeram estagnar o limiar dos salários baixos. O que é o limiar dos salários baixos? É aquele limite  – 2/3 da mediana dos valores salariais (sendo a mediana o valor que divide a distribuição percentual do universo em duas metades iguais) – a partir do qual os trabalhadores são considerados pessoas pobres. Estagnando esse valor, isso revela que se verificou uma estagnação do valor da mediana e, consequentemente, dos salários totais.

Já a segunda ideia, a de que o emprego se deve às reformas laborais de 2012, é um facilitismo por parte de quem não apresenta ideias sobre a causalidade defendida. É fácil afirmar uma ideia, sem a provar, transferindo o ónus da prova para quem critica a sua ideia.

Para já – e partindo da primeira ideia – o que se pode afirmar é que o emprego está a subir mas sem alterar significativamente salários. E, de facto, se algum efeito a reforma laboral de 2012 teve – e tem porque está em vigor -, esse foi um deles: corte na retribuição do trabalho extraordinário, fim do descanso compensatório, corte de dias de férias e feriados, banco de horas, etc., etc. Tudo levou a um corte nas remunerações recebidas. Aquilo que subiu sim foi precisamente o SMN que o anterior governo tanta relutância teve em fazer subir.

Mas se à direita basta dizer que sim, porque sim, então apresente-se um argumento contra. É que, a partir de 2014, enquanto o Governo PSD/CDS apresentava estudos do FMI sobre a reforma do Estado e Paulo Portas apresentava a sua famosa página de linhas gerais, na verdade, o emprego público deixou de descer e… – com o apoio da troica! – subiu, contribuindo para um alívio do que se pretendia realizar quanto a austeridade.

Haverá outras ideias possíveis. Mas para já fica apenas esta. A bola está do outro lado. Se for capaz, porque tudo aparenta tratar-se de uma forma de querer salvar a cara do enorme falhanço que foi a estratégia económica seguida pela direita e por alguma direita que existe no PS.

 

João Ramos e Almeida  ##  blog Ladrões de Bicicletas

http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2017/05/salvar-cara.html

 

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imagem   aindasoudotempo.blogspot.pt

 

 

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