O incremento nos últimos anos do fluxo de visitantes em Sintra, deixado um pouco à sua sorte, não impressionou particularmente quem tinha a obrigação de o estudar para prevenir o ponto de ruptura em que nos encontramos.

Há muito que se sabe que o desenvolvimento social, cultural e económico proporciona oportunidades crescentes de mobilidade, com objectivos tão diferenciados como o trabalho profissional, estudo, compras, lazer e visitas. O aumento do tráfego de veículos é, pois, a expressão desta capacidade alargada do exercício duma liberdade individual, que não deixa de encerrar em si uma certa ambivalência, na medida em que tem conduzido a um bloqueio – é o termo – das acessibilidades disponíveis.

Neste sentido, talvez a assunção de uma política de oferta de deslocações em função das dinâmicas territoriais que se pretendam estimular ou controlar tivesse sido de ponderar. No caso da Vila de Sintra, cuja especialização é o turismo, a negligência mostra a todos e a todas as suas consequências perversas.

A limitação do acesso automóvel não deve ser encarado como um objectivo em si, mas como um meio de enfrentar um problema complexo e para o qual não existem soluções miraculosas. Nesta perspectiva, e dada a exiguidade do espaço no centro da Vila, torna-se imperioso fazer opções em matéria de estacionamento, que equilibre interesses de moradores e visitantes (mobilidade residencial e mobilidade de lazer).

Na nossa perspectiva, o habitante deve ser colocado no centro da escolha política. A sua característica tendencialmente sedentária é um garante da viabilidade do espaço urbano e da sua qualidade.

A situação geográfica de Sintra obriga a existência de uma articulação com os concelhos limítrofes e com a região de Lisboa. É nestas escalas que devem ser procuradas as soluções que permitam detalhar os fluxos de deslocações, de forma a determinar as necessidades em infraestruturas.

Com os actuais autarcas e os futuros que se perfilam, mas que já foram passado, é de presumir que nem uma política de minimização de danos consigam levar a cabo.

 

Valdemar Reis

 

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