Caros leitores, Sintra tem um pacote de problemas que deverão de ser resolvidos na próxima década. Um deles é inaceitavelmente a mobilidade.

O problema da mobilidade tem-se vindo a arrastar vários anos, mas é claro e é justo dize-lo que tem melhorado face a anos longínquos.

Os acessos a Sintra fazem-se nomeadamente via terrestre, não existe nenhum porto marítimo-turístico e nem sendo necessário e não temos um aeroporto. Houve uma certa discussão em transformar a base aérea existente no nosso concelho mas não passou de mera tentativa de distracção política. Na minha óptica de Sintrense, claro está gostava de ter o segundo aeroporto de Lisboa no meu concelho, trazia uma mais-valia a nossa terra mas conhecendo os problemas que poderiam advir de tal facto, e como conservador que sou, apoio a decisão de não avançar para uma candidatura.

Dito isto, foquemo-nos então naquilo que me audaz fazer esta reflexão.

Comecemos então por partes, dividirei esta reflexão em quatro partes. A mobilidade rodoviária, a ferroviária, a mobilidade pedonal e transportes públicos.

A linha rodoviária do nosso concelho, é repartida entre a autarquia e uma empresa pública ministerial. Na maioria dos casos mais críticos e mais sensíveis as Infaestruturas que se encontram mais degradadas pertencem a essa empresa publica. Parece desculpa, para não ser feita obra mas é a realidade. A autarquia não pode intervir conforme seu gosto nestas determinadas faixas de mobilidade. Nesses casos cabe a autarquia pressionar e acima de tudo criar condições que seja feita obra. Noutros casos cabe a autarquia a sua implementação e gestão.

A mobilidade rodoviária melhorou significativamente quando o IC19 foi redesenhado e alargado, existe algumas falhas de planeamento e execução mas devido a morfologia do terreno são aceitáveis. Mas este redesenhado IC19 não veio em nada beneficiar os munícipes que vivem na nossa vila. Na vila o caos contínua, a desregulamentação é bem evidente e é a causa de vários outros problemas.

Por todo o país existem problemas com a turistificação maciça que Portugal sofre, e de facto é importante saber aproveitar mas também devemos de procurar deixar uma boa imagem a quem nos visita e será que é esta a melhor imagem que podemos dar?  Não, como já referi em reflexões anteriores não basta legislar, há que perceber como poderemos tirar o máximo de proveito e por fim executar.

A falta de mobilidade de um concelho é um significado de desleixo político. O poder local deve de se caracterizar por estar próximos dos cidadãos; e o estar próximo dos cidadãos passa também por lhes oferecer melhores condições de mobilidade entre freguesias, e em Sintra não acontece.

O IC19 é hoje em dia a infra-estrutura mais utilizada para chegar e sair de Sintra, relegando assim a linha ferroviária para segundo plano.

Neste campo ferroviário, Sintra tem tido algum investimento público e comunitário na melhoria de algumas estações e seus acessos, mas começa-se a sentir a falta de manutenção.

Caros leitores, a linha de caminho de ferro de Sintra é a galinha dos ovos de ouro da CP, mesmo assim esta empresa investe pouquíssimo na manutenção do seu equipamento provocando a paragem no estaleiro de carruagens que podiam circular em horário de ponta. Neste mesmo horário são diários os atrasos, comprometendo diariamente milhares de Sintrenses. É importante a colocação de mais carruagens em funcionamento e o comprimento dos horários estipulados.

Fala-se nos corredores que a concorrência à linha férrea para Sintra, poderá nascer até a próxima década. Sinceramente não acredito que o Metropolitano seja uma alternativa viável ao comboio. Por enumeras razoes entre elas o metropolitano ao chegar a Sintra retiraria certamente alguns passageiros a CP e com isto o preço dos passes ou bilhetes para Sintra aumentaria; a falta de condições em algumas estações para a implementação de uma estação de metropolitano etc. Sintra não precisa de metropolitano, Sintra precisa sim de uma linha férrea com investimento adequado com segurança reforçada.

A mobilidade pedonal, é uma das categorias em que se nota algum trabalho autárquico. Sou defensor que toda a estrada seja ela nacional ou municipal deve de ser ladeada por passeios, contudo compreendo que devido a morfologia do terreno em algumas estradas não seja possível a sua implementação. A implementação de ciclovias, deverá de seguir a bom ritmo, e com elas a criação de mobilidade urbana entre escola-casa- postos de utilidade publica-espaços verdes. Deixando assim de haver as tradicionais “camionetas urbanas”.

Chegamos então aos transportes públicos.

Os transportes públicos em Sintra são uma verdadeira salganhada de empresas com a câmara metida ao barulho pelo meio.

Não há ordem nem planeamento no sistema de transporte público rodoviário. E um exemplo disso é um munícipe que queira ir a freguesia de Colares vindo de Queluz perde mas tempo na mudança de transportes do que propriamente a deslocar-se.

A zona este de Sintra é servida por transportes públicos que vindos de Lisboa, Amadora encontram o seu términos aí, o que perfaz uma data de boas ligações a quem vive na zona Urbana no município, daí deviam de se distribuir para todo o concelho. Isto não acontece não há um veículo que a sua rota seja Queluz – Colares e muito menos outro que seja Colares -Almargem do Bispo. Com esta reflexão noto que a zona urbana está muito bem servida em termos de transporte que a zona rural, o que é entendível pois a zona urbana alberga a maioria dos munícipes que usam transporte publico. Mas a zona rural não pode ser relegada para segundo plano, até porque olhando pró mapa concelhio, esta faz fronteira com outros municípios e uma boa articulação com os vizinhos Mafra – Loures criava-se uma mais-valia enorme. Com a criação e proliferação das ciclovias deixar-se-ia de ter as “camionetas urbanas” colocando-as em rotas que possam interligar os extremos concelhios.

A mobilidade é tudo uma questão de planificação. É primordial que nos próximos anos, Sintra reformule a sua linha de transportes públicos rodoviários, para uma boa coesão municipal; tão ou mais importante que as operadoras de transportes públicos invistam em melhores condições dos seus equipamentos, propiciado mais conforto aos nossos munícipes. Do mesmo modo  as autarquias deviam de ser elas a regimentar o seu transporte público e a geri-lo convenientemente.

Esperemos então que haja novidades brevemente em termos de mobilidade.

 

 

Jorge Amado

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