Todos conhecemos o ditado “Na mesma como a Lesma” e muitos se lembram de quando, por volta de 2001, as páginas dos jornais estavam cheias de notícias sobre marchas e monumentos ao caracol no tão célebre IC19. Pois bem, quem agora diz que em 12 anos nada se fez, esquece-se de uma estratégia, desenvolvida e implementada, que resolveu grande parte dos problemas de mobilidade nesta via tão importante para os munícipes de Sintra no seu dia-a-dia. Certo é que nos últimos 4 anos, quando deveríamos assistir a uma continuação da melhoria neste capítulo, nada foi feito e tudo “ficou na mesma como a lesma”. Ultrapassámos o Caracol para agora estarmos como a Lesma.

O alargamento para 3 faixas do IC19 e a abertura da A16 foram dois fatores importantíssimos para o fluir do trânsito no principal eixo urbano do concelho. Obviamente que seria então tempo de continuar o trabalho com uma aposta clara nas acessibilidades dentro do perímetro urbano das cidades, nas ligações à zona rural e às praias e ao centro histórico de Sintra.

Mas não! Estão a ser 4 anos de completa ausência de ideias, de planeamento e de estratégia nesta área quando em 2013 se prometiam mundos e fundos e até uma empresa municipal de transportes. E até no preço dos passes houve, na área metropolitana de Lisboa, quem conseguisse vantagens para os seus munícipes enquanto que o Presidente da Câmara Municipal de Sintra, que também preside ao Conselho Metropolitano de Lisboa, nada fez, nada conseguiu em defesa dos sintrenses.

Só quem não circula pelas ruas do Monte Abraão e de outras zonas urbanas, onde os condutores de autocarros fazem verdadeiros milagres em gincanas de perícia e os restantes condutores se arriscam todos os dias em ruas pejadas de carros estacionados desordenadamente, dirá que este não é um problema de vital relevância para quem vive em Sintra e nas suas freguesias. Interessante ver que se anda a “espalhar” alcatrão e a fazer obras de cosmética, remendando aqui e ali, espalhando cartazes e pintando sinalética horizontal onde, em rigor, todos sem exceção irão infringir as regras de trânsito porque o ordenamento e planeamento simplesmente não existem.

E o que dizer quando tentamos ir dar um passeio ao Centro Histórico ou às praias?! De transporte é um problema. Existe o comboio, por exemplo. Mas basta passar todas as manhãs na estação do Rossio para se perceber as imensas filas a que são sujeitos os turistas. Fazem-se regulamentos mal feitos para alguns operadores, mas não se acautela o estacionamento periférico e o complementar acesso para retirar do centro da vila as imensas filas de trânsito e o caos em que uma agradável visita à mágica Sintra se pode transformar. Não se pensa, não se planeia, não se definem estratégias e assim a lesma lá vai ficando na mesma, tornando-se inevitável pensar nela quando, pela Volta do Duche, circulamos a pouco mais que a sua velocidade de ponta.

Agora, uma vez mais, voltam as promessas, os projetos, os concursos e assinaturas, os cartazes, vídeos e folhetos… É uma gestão errática, estéril, de avanços e recuos que nada resolveu em questões de mobilidade, de acessibilidade e que continua sem apresentar uma estratégia concreta que resolva os sérios problemas nesta matéria. E a comprovar basta pensar um pouco e viajar sobre Sintra à boleia do Teleférico que afinal não foi. Nem isso, nem nada mais. E a maior ironia é falar-se num caminho quando não se sai do mesmo sitio!

 

 

Carlos Miguel Saldanha

 

Anúncios