Depois de em reuniões de câmara se ter apoiado em certezas de sentido único, apoiadas numa argumentação desarticulada, e temperada pela sua proverbial arrogância política, o actual Presidente do Município de Sintra indicado pelo PS, fez mais um número de contorcionismo, lançou ameaças para dentro do aparelho camarário e, pelo meio de uma pindérica cortina de fumo fez o habitual recuo político. Desta vez, em causa estava o que a oposição e o bom-senso recomendavam há já algum tempo, ou seja, a revisão dos critérios que agravavam em 30%, o IMI de prédios que alegadamente se encontram degradados, sendo que muitos dos proprietários não foram sequer notificados pelos serviços camarários que viviam numa casa considerada degradada.*

Se estivéssemos em presença de um responsável político com conhecimento, no terreno, da realidade do concelho, assim como pela capacidade de ouvir e criar os consensos possíveis na governação, seria de saudar esta atitude de Basílio Horta. A questão, e o ridículo da mesma, é que estamos na presença de um Presidente que não tem (quererá ter?) estes atributos e só recua, como aconteceu de outras vezes, quando “o acampamento está a arder”. Então de pirómano, passa a bombeiro de rescaldo, como ilustram estas suas palavras à TSF: “(…) “Quando vi diversos casos, entendi que não podia manter inalterável a situação que estava”, explica, “o dever da câmara é proteger os munícipes, o que tem feito desde o primeiro dia. Por isso, não podíamos consentir que os nossos munícipes estivessem a pagar um IMI maior em situações que não eram devidas”. Acontece que, durante a entrevista à TSF, Basílio Horta foi confrontado, no essencial, com a posição expressa num comunicado do Movimento Sintrense com Marco Almeida, comunicado que reflectia a posição deste Movimento nas reuniões de Câmara, e em outras intervenções –  o jornalista esteve muito mal, pois não indicou a fonte em que se apoiava para fazer as perguntas.

Embalado por uma espécie de senda justiceira, Basílio Horta proclamou aos microfones da rádio, que tinha decidido anular todos os processos de agravamento do IMI de 2017 e que as pessoas iriam receber aquilo que pagaram a mais nas Finanças. Ora esta “proclamação” levanta algumas dúvidas, nomeadamente a de saber até que ponto o Presidente tem poder para tomar, por si, esta decisão, e também, porque razão o não fez antes, confrontado que foi com os argumentos apresentados à mesa das reuniões camarárias, no dia anterior. Mas, para quem conhece o “estilo Basílio Horta”, o melhor estava guardado para o fim, quando o mesmo sentenciou: “Quando há erros, emendamo-los. Não os justificamos”. Bem prega Frei Tomás…

 

João de Mello Alvim  »«  blog Três Parágrafos

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* “Foi com surpresa que João Pintassilgo descobriu que a casa onde vive foi classificada como degradada. Quando recebeu a nota de pagamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, no início do mês de abril, reparou numa sobretaxa de 30%”.Ler mais: http://www.tsf.pt/sociedade/interior/era-simpatico-ser-avisado-que-vivo-numa-casa-degradada-6218535.html

 

Mais informação:

http://www.marcoalmeida.net/actualidade/noticias/movimento-scma/427-br

http://www.tsf.pt/sociedade/interior/camara-de-sintra-vai-anular-11-mil-processos-de-agravamento-do-imi-6219427.html

 

 

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