É do conhecimento dos mais atentos que os índices demográficos em Sintra se teem vindo a alterar com o passar dos anos; menos jovens activos e mais jovens não activos, estes últimos baseados em estudos recentes teem vindo a demonstrar uma intenção de abandonar o nosso concelho.

Este abandono, deve-se principalmente ao factor socioeconómico mas não só. As condições sociais do nosso concelho melhoraram face a 30 anos mas relativamente a anos mais recentes tem se verificado um recuo, essencialmente por via da falta de investimento público camarário, e está claro que há muito por realizar.

Um dos factores que devemos de olhar com atenção é o factor social, mais concretamente o apoio social.

O apoio social, é fundamental para que todas as etapas da vida sejam sucessivamente concretizadas, ajudando o indivíduo a fomentar a sua base para uma vida saudável. Devemos de incutir o desporto, a cultura, o valor da vida e do trabalho mas o mais fundamental é criar a base para que nenhuma vida fique fora de jogo pelo seu estrato social, se promove uma geração mais qualificada com melhor qualidade de vida. E é aqui que começa o verdadeiro quebra-cabeças camarário.

Sintra, tem muito a realizar no campo do apoio social aos mais jovens. Em Sintra vedou se parques urbanos para evitar actos de vandalismo; com este decreto transmite-te uma mensagem aos seus munícipes que praticar desporto em lugares públicos somente em horário a definir por quem de direito. Está errado. Muito errado. Os parques devem de ser por si só um ponto de socialização seja de dia ou de noite e em algumas freguesias de Sintra isso não acontece. Fazer desporto e não ter um local público só nos resta ir para o meio do passeio (com todos os riscos que daí advêm) ou para algum ginásio privado (o que para muitas famílias é impraticável); e assim subtilmente privamos os munícipes de um dos seus direitos. Por outro lado construem-se ciclovias que devem de ser um fomento a pratica de desporto mas mesmo estas não passam de meros locais com falta de iluminação pública e propensos em colocar os cidadãos em perigo por mera falta de planeamento. Deste modo só nos resta as colectividades e as associações desportivas.

Sintra deixou de ouvir as associações do concelho. Para este executivo as associações, não passam de grupos hospedeiros que só querem aumentar o prejuízo camarário. Sem o apoio devido a estas instituições, elas vêem-se obrigadas a encerrar ou então em cobrar, o que por si só afasta os cidadãos. As associações em Sintra estão condenadas a desaparecer e consigo levar o que resta do tecido social. Em contra ponto, a nossa cidade aumentou o seu programa de apoio social aos mais idosos e a famílias carenciadas (plano implementado a nível local e apenas abrange algumas freguesias), esse apoio que é realizado em conjunto com as associações paroquiais do concelho e deu frutos. Hoje temos famílias que dependem e encaram essas refeições como modo de sobrevivência diária.

Somos o concelho do país, com mais jovens, este título dignifica Sintra; mas o que não dignifica Sintra é a falta de apoio a juventude. A Juventude Sintrense revela criatividade e trabalho mas que não tem uma casa para mostrar. E a pousada da juventude não passará de uma mini hospedaria para jovens no centro da vila. Numa cidade tão rica em museologia, não se compreende como não se possa dar voz aos jovens criativos.

Mas o apoio social vai muito mais para além do já referido. Sintra tem graves problemas com a falta de infantários (creches), ATL públicos, lar de idosos e os que existem encontram-se completamente preenchidos. É dever do órgão público preencher esta lacuna, por exemplo com parcerias com colégio/creches já existentes subsidiando famílias carenciadas e com as misericórdias para construção de lares públicos para os idosos que tudo deram durante a vida possam repousar e passar momentos em convívio. Ninguém deve de ficar excluído.

Caberá sempre ao poder local, criar as oportunidades para que todos nós sejamos novos ou menos novos tenhamos condições para usufruir do nosso município, mas estas falhas não agregam munícipes, pelo contrário afastam-nos todos uns dos outros. Se não forem tomadas medidas não haverá em Sintra ordem nem progresso social daqui a uns anos.

Atravessamos também uma falta de sensibilização cultural, não sabemos cativar os nossos jovens adultos para a nossa cidade, admita-mos que falhamos, sim eu falhei em não ligar a Sintra durante maior parte da minha vida, mas eu estou disposto a recuperar e a oferecer a Sintra aquilo que ela me deu. Mas continuo a não ser cativado a ir “consultar” a cultura Sintrense. Uma forma de cativar os jovens seria a criação de um cartão jovem Sintrense onde se podia oferecer descontos em museus, monumentos, bibliotecas e nos transportes públicos em Sintra.

Um exemplo da nossa falha é a extinção da empresa de promoção da Educação (Sintra Educa), foi um erro a sua extinção e o futuro dar-me-á razão. Durante a vigência da Sintra-Educa muitas federações desportivas concentraram se em Sintra e captaram jovens para o desporto tirando-os das ruas e provavelmente da criminalidade. Há certamente campeões do mundo e da Europa que foram descobertos em Sintra que vivem em Sintra, mas que não podem praticar o seu desporto por falta de condições. Só estamos a dar aos jovens uma mensagem de desprezo. É importante voltar a ter uma empresa que apoie a educação e potencialize desporto, a cultura, no concelho, estou certo se isso acontecesse voltaríamos a ver inúmeras mais-valias nas mais variadas actividades sociais.

A articulação da Câmara com os cidadãos deve de ser regimentada suavemente e de forma directa usando os canais próprios de que câmara tem ao seu dispor por exemplo o uso de publicidade outdoor para incentivar a pratica de desporto, a ida aos mais variados monumentos e vista a museus, sensibilização ambiental, mas infelizmente usa-se outdoors não para benefício da população mas sim em publicidade ao partidarismo. Não há um único outdoor alusivo a estas a boas práticas em todo o concelho! É fundamental pensar na criação de incentivos municipais, que levem a população a sair de casa e a ficar por Sintra. Compete aos cidadãos desfrutar do concelho, lembremos que cada cêntimo gasto em Sintra é a economia de Sintra que fica a ganhar e ao final de contas somos todos nós que saímos a ganhar.

O tempo passa e as competências da câmara não se modificam. Pede-se a câmara mais apoio social, mais apoio institucional, mais apoio escolar, mais apoio desportivo, mais apoio cultural enfim mais apoio municipal. Porque a longo prazo ver-se-á resultados. O pensamento do poder autárquico deve de ser sempre… “Semear hoje, para colher no amanhã”.

 

Jorge Amado

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