Há muito que ouvimos falar da Cidade Sonae que, supostamente e como projetado, nasceria no final do IC 19, ali mesmo, no sopé da Serra de Sintra. Dizem as crónicas que será mais uma grande superfície comercial e que terá habitações, infraestruturas de lazer e, imagine-se, uma Sintra dos Pequeninos. Por muitos argumentos que possam tentar justificar esta edificação são muitas as questões que me dão fundamento para ser frontalmente contra.

Mobilidade, poluição, descaracterização da paisagem e, sobretudo, um previsível rombo no comércio tradicional. Estas serão apenas 4 razões que sustentariam a minha posição mas muitas outras haveriam.

Na mobilidade não será difícil a quem conhece, adivinhar o que será a passagem pela zona do Fórum Sintra, Decathlon, Jumbo, Leroy, Staples, em hora de ponta num dia chuvoso ou num fim-de-semana próximo do Natal. Além do mais, acrescentando fogos de habitação na dita Cidade que contribuirão para uma extensão da urbanização e massificação habitacional aproximando-as de Sintra e de zonas protegidas.

Certo que este será um panorama inevitável resultante da construção da Cidade Sonae, mas com ele surgirá um outro talvez mais alarmante. Numa área tão próxima de território com Paisagem Protegida e com o acumular de trânsito os índices de poluição subirão em flecha podendo, a prazo, tornar-se uma ameaça preocupante para a fauna e flora do território protegido. Esta é uma questão fundamental. Cumpre-nos defender o património natural de Sintra e, consequentemente, o futuro de gerações vindouras.

No parágrafo anterior entronca uma outra inquietação. A descaracterização da panorâmica paisagística será uma realidade e, numa zona de forte impacto turístico, a profunda desfiguração que se efetuará terá um impacto visual negativo que se refletirá profundamente na imagem de Sintra.

Finalmente, e talvez a maior preocupação, será a efetivação de mais uma violenta machadada no chamado Comércio Tradicional. As grandes áreas comerciais afastam a população dos centros habitacionais e provocam modificações adversas e fundo na estrutura do pequeno comércio que tende a fechar portas.

Poderia continuar com argumentações que não faltam e que passariam por considerações teóricas que poderiam passar por hábitos de consumo e qualidade de vida mas creio que essas serão evidências que não preciso mencionar.

 

Carlos Miguel Saldanha

 

 

 

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