Veio a público no dia 23 do corrente que o ICNF se prepara para abater 1200 árvores no Parque Natural Sintra Cascais (PNSC) (ver aqui).).

Antes de desenvolver, alguns pontos prévios:

  1. No dia 21 do corrente (Dia Internacional das Florestas) o conselho de Ministros foi realizado no Parque Natural Sintra Cascais (PNSC), dedicado precisamente à floresta e à sua reforma. (ver aqui)
  2. Quem é o ICNF? Consultando o seu sitio:

“O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas somos nós, consigo, gerindo o património natural e florestal, envolvendo os atores, internos e externos, do desenvolvimento territorial nas medidas e ações de conservação da natureza e de gestão da floresta.

O ICNF somos nós.”

  1. Não sou especialista na matéria, mas isso não me impede de fazer este exercício de reflexão e de preocupação.

É irónico que passados dois dias de um conselho de ministros realizado em pleno coração da Serra de Sintra onde foram apresentadas medidas para a reforma da Floresta seja anunciado pela própria entidade que é suposto “conservar a natureza e a floresta” o abate de 1200 árvores.

De facto este abate tem gerado bastantes dúvidas, a primeira que me ocorre é – Não é suposto o tal ICNF acima de tudo ser fiel ao seu propósito, e à mensagem que deseja passar “ … envolvendo os atores, internos e externos, do desenvolvimento territorial nas medidas e ações de conservação da natureza e de gestão da floresta.”

Que “espécie” de gestão florestal é esta? É uma gestão economicista? É uma gestão séria, transparente e que almeja a conservação da natureza? E o que dizer da falta de envolvimento dos ditos “atores, internos e externos”? E porque abater agora quando estamos num período sensível de nidificação de aves?

Se de facto estas 1200 árvores representam, como quer fazer crer o ICNF, um perigo que justificação existe para que o abate não tenha sido já feito noutra altura com menor impacto?

Felizmente estas dúvidas não são somente minhas, a Quercus avança (o corte) “deve ser cancelado” e reavaliado, por aumentar o risco de proliferação de espécies invasoras.”

Os Verdes vão “requerer a audição do presidente do ICNF no parlamento, para esclarecer o abate de árvores no PNSC, lamentando a visão economicista por trás da decisão.”

O BE considera que “a intervenção prevista parece ser um pouco excessiva e pouco fundamentada, acontecendo numa altura em que a floresta se enche de aves para começar a nidificação.”

A nível local, a Associação Alagamares também já expressou o seu repúdio pelo abate.

Perante este comportamento do ICNF podemos estar seguros que a gestão florestal e da natureza estão a ser realizadas da melhor forma?

No dia 23 de Fevereiro neste fórum escrevi o seguinte sobre o PNSC: “Clarificar regras e comportamentos, assim como Ser exigente com a correta gestão e uso do PNSC, são alguns aspetos a melhorar.”e ainda “as limitações pedagógicas e de comunicação (do PNSC) com a comunidade residente e visitante..”

Ora este caso veio infelizmente provar que de facto há um grande trabalho a fazer, e a importância de ter cidadãos e entidades atentas de forma a evitar decisões ambiguas.

A minha sugestão de melhoria é a criação de uma entidade externa com diversas entidades: Associações locais e de defesa da natureza; universidades e/ou técnicos devidamente credenciados e independentes para que existam decisões mais sustentadas, transparentes devidamente participadas e esclarecedoras junto da opinião pública, até porque o “O ICNF somos nós.”!

Felizmente a comunidade está unida em torno deste problema, não só a nível associativo mas também individual, a prova disso é a criação quase imediata de uma página no Facebook dedicada ao tema (ver aqui) e uma petição já bastante participada (ver aqui)

Espero que haja agora a possibilidade de um debate mais sério e alargado sobre a gestão dos Parques Nacionais, da Floresta e da urgência de um regresso aos valores ambientais abafados que foram pela crise. Fica a dica para o programa eleitoral dos candidatos às eleições autárquicas…

 

Nuno Agostinho

 

 

 

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