É um dos temas do momento e a dimensão do abate de árvores no Parque Natural de Sintra Cascais não pode deixar ninguém indiferente. Aparentemente, por ali, as árvores não morrerão de pé. A justificação do Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF) é refutado por associações e entidades que lamentam a visão economicista e defendem o cancelamento do abate. Não sendo eu um especialista em gestão florestal não deixo de ponderar os argumentos de ambos os lados e de tentar contribuir com uma visão externa e com alguns elementos de reflexão neste pequeno texto.

Pelas notícias vindas a público custa acreditar que existam milhares de árvores doentes ou em risco concentradas numa área relativamente reduzida. Mas, se realmente assim for, há que perceber porque tal aconteceu e se deixou chegar ao ponto de se ter que proceder ao abate de tantos exemplares ao invés de se ter feito uma gestão para que se procedesse não ao abate massivo mas a uma reflorestação planeada e progressiva no tempo. Assim, para além de não se proceder a uma substituição devidamente estruturada, assistiremos a uma enorme descaracterização da paisagem abrangida por esta ação.

Este tipo de ação sobre os espaços verdes tem acontecido frequentemente em zonas urbanas. Nos últimos anos, na área onde resido, a manutenção de espaços verdes tem sido negligenciada apesar das elevadas verbas do erário publico gastas em tais serviços. Ainda há pouco tempo teve que se proceder a uma intervenção de emergência de uma árvore em risco de queda junto a uma escola isto depois de já várias árvores terem sido cortadas (sem reposição) por terem adoecido, apodrecido, evidenciando um claro desleixo nesta área, evidente na forma como são feitas (ou não) as podas das espécies de maior porte.

A última nota a ponderar prende-se com a acusação feita ao ICNF de estar a fazer uma gestão economicista e não ecologista. É um pequeno grande pormenor a reter. E preocupante porque na sua argumentação o ICNF* afirma-se, a certo ponto, que “as árvores a abater serão objeto de alienação do material lenhoso, com base num procedimento público de venda”, o que não deixa de dar alguma força à teoria apontada pelos críticos desta operação.

Termino reiterando uma preocupação que julgo premente. Tendo consultado várias notícias sobre este assunto vi serem feitas petições, artigos em diversos blogs, intervenção de entidades, associações e de forças políticas, mas não encontrei qualquer alusão sobre o que a Câmara Municipal de Sintra pensa sobre este assunto. Reiterando que em área urbana o desmazelo é evidente, pergunto-me se perante tão importante matéria a autarquia também se demite de defender os interesses da população ou de emitir uma posição sobre o assunto.

 

Carlos Miguel Saldanha

 

 

 

 

* https://www.publi

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