Como Seara fechou a boca às hostes…

 

A vida recomenda que, em política, se tenham cautelas nas intervenções inflamadas, evitando-se cambalhotas causadoras de hérnias do hiato esofágico…com refluxo…

Qualquer coisa que cheire a crítica à gestão de Basílio Horta, tem levado alguns entertainers a puxarem da cartilha: – “O que foi feito nos últimos 12 anos?”

Seara sabia disso. “Os últimos 12 anos” eram ele, surgido em Sintra auto-referenciando-se como o “Careca do Benfica”, numa simbiose de clubismo e eleitoralismo.

Saiu-se bem numa receita que nem sempre garante bons resultados pois o eleitorado está cada vez mais prevenido e cauteloso quanto a ligações desajustadas.

A (re)exploração subliminar do clubismo, divisor da sociedade é um risco a pagar caro.

Viu-se numa TV de Clube. Moderador apresentando o “Super convidado” e opinar “para mim é um privilégio porque estou entre o passado, o presente e o futuro de Sintra”?

No recente Jogo entre Fernando Seara e Basílio Horta, o clubismo foi pretexto para a política com banais encómios entre companheiros que saberão muito um do outro…

Pode dizer-se que Fernando Seara e Basílio Horta, se mereceram.

Fernando Seara, mais experiente nestas coisa televisivas e conhecedor das vaidades alheias, soube fazer-se louvar por Basílio Horta como poucos dos seus fãs o fariam:

“Um Presidente de Câmara que é eleito com maioria absoluta duas vezes é porque tem mérito, isto chega”

“Quando ele dá aquela orientação que já chega de betão, é uma orientação que salva muita coisa em Sintra, muita coisa”

“Como é que eu podia gerir hoje se ele não tem feito isso na altura?”

“Só espero ter o mesmo êxito que ele teve”

Seara, certamente a pensar nos entertainers a que Basílio Horta não terá sido capaz de aconselhar moderação…calou as hostes pela boca do próprio Basílio…

Seara estava vingado…pode pensar em regressar a Sintra…

…hostes e entertainers devem ter ficado perplexos. Que dirão agora?

Do Clubismo à “cunha” versus “empurrão democrático”…

Ao apreciarmos o programa JOGO LIMPO de 10 de Março de 2017, na Benfica TV (clique em  http://sintranoticias.pt/2017/03/14/basilio-horta-fernando-seara-juntos-falam-sintra/ )facilmente se sente a banalidade interventiva.

Sendo impensável que o outro candidato à Câmara de Sintra, mesmo se benfiquista, tivesse essa promoção, percebeu-se a amplitude do jogo…não se via mas sentia.

“Unidos” no JOGO LIMPO pela “paixão pelo Benfica” disse Fernando Seara, acrescentando que “o Benfica nunca perde, de vez em quando é que não ganha”…

Basílio Horta juntou os sentimentos clubistas: – “A minha família toda, não tenho ninguém que não seja do Benfica”. “Pai”. Irmãos”. “Filhas” e o “Maior benfiquista é o meu neto”…”Ah, e os meus dois genros, é engraçado, estava a falar só num”…

Basílio Horta entusiasmado: – …”estão-me sempre a pedir bilhetes quando estão esgotados e eu estou sempre a meter cunhas, uma vez até ali ao Dr. Fernando Seara pedi, para virem aos jogos e para irem acompanhar o Benfica (…)”.

Fernando Seara logo corrigiria: – “cunhas não…empurrão democrático”…

Em teatro teria caído o pano…”meter cunhas” era a última coisa que esperávamos.

“Empurrão democrático” ficará na história dos rigores públicos e privados.

Empurrão com algumas falhas

O entrosamento com a vida política preparava-se. Algumas hostes ou entertainers que esperam algo (sem “cunhas” ou “empurrões”) esqueciam as suas cores clubistas.

Do Céu caíram Euros. “Despesa comprometida de 105 milhões”. “No banco 82 milhões”. Até a “Maior descida do desemprego em todo o país…23,9%”! Por aí fora….

Em três anos e meio foi Obra de Cofre. Quem suportou? Quem beneficiou?

Ficou sem se saber se a “Despesa comprometida” é para desenvolvimento sustentado, investimentos camarários reprodutivos ou com reflexos na economia futura.

Pensámos nas dificuldades Governamentais. Em Câmara pobres. Sintra parece outro Mundo. Outro País. Outra sociedade. Como foi possível juntar tanto dinheiro?

“Sintra era a única Câmara onde eu aceitava”. Inigualável amor a Sintra…

Fantástica, quase comovedora pelo rigor irrevogável, a imagem que fica do político que saiu de líder da bancada do CDS porque “não seria yes-man de ninguém”…

Calou fundo o dizer “Foi um privilégio ser Constituinte”, sem que qualquer dos outros intervenientes perguntasse se foi privilégio ter VOTADO CONTRA A CONSTITUIÇÃO.

Depois da Conversa em Família ficou o vazio por não citar os nomes a incluir na sua Lista Eleitoral, certamente todos “óptimos” e “excelentes”. Uma falha de Basílio Horta.

Estamos obrigados a esperar pelos próximos dias.

 

 

Fernando Castelo  »«  blog Retalhos de Sintra, 23 Março, 2017

http://retalhos-de-sintra.blogspot.pt/

 

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