O crescimento turístico de Portugal reflete-se diretamente em Sintra, sendo o monumento mais visitado o Palácio da Pena. (ver aqui)

Este fenómeno tem consequências positivas óbvias, mas igualmente desafios e problemas. Vou focar um – O Acesso ao Castelo dos Mouros e Palácio da Pena.

Diariamente milhares de pessoas sobem a serra para visitar estes monumentos, e de que forma?

  1. Carro próprio
  2. Transporte público colectivo (autocarro) ou individual (táxi)
  3. Modos de deslocação suave (a pé, de bicicleta)
  4. Outros (mota, tuk tuk, etc)

A minha abordagem terá dois enquadramentos: o turista nacional que se desloca geralmente em veículo próprio e o turista estrangeiro que se desloca a pé ou noutro meio de transporte.

O turista nacional tendo em conta que se desloca no seu veiculo próprio vai desejar levar o mesmo até à entrada dos monumentos. Após o calvário de chegar ao centro de Sintra terá o desafio de subir a serra fazendo gincana entre tuk tuk´s, peões, carros mal estacionados e autocarros.

Terá ainda a dificuldade de encontrar lugar para estacionar. (Uma curiosidade, se o automobilista quiser passar o dia na Serra mas deixar o carro no centro da vila pagando parquímetro, depara-se com o dilema – O máximo de tempo possível do parquímetro são 4 horas.)

Resumindo, o que deveria ser uma experiência agradável torna-se um inferno não só para o visitante como para operadores turísticos, peões, e o ambiente.

Por outro lado, a maioria dos visitantes (estrangeiros) que optam por uma alternativa ao automóvel, também enfrentam problemas.

O tempo de espera nas paragens dos autocarros não será o adequado, a julgar pelas longas filas, e não são devidamente abrigadas (em plena serra com as influências climatéricas que tão bem conhecemos).

Para quem se aventure a pé, os caminhos pedonais poderiam estar mais bem assinalados, o que parece mais óbvio (seguir a estrada principal) torna-se num desporto radical de esquiva aos veículos que por lá circulam.

Os problemas acima identificados têm riscos associados: acidentes (e incêndio por exemplo), aumento da poluição, insegurança (em caso de acidente como sobe um carro de bombeiros ou ambulância se a estrada tiver congestionada?)

A resolução exige coragem política, pois pressupõe uma rutura de pensamento e comportamental.

Exemplos:

Proibição da circulação de veículos próprios, Proibição de veículos com motores de combustão (substituídos por veículos elétricos), Maior frequência de autocarros, Paragens abrigadas e confortáveis, Informação mais clara e interativa dos acessos,

Estímulos para quem use formas de deslocação suave, Os atuais parques de estacionamento poderiam ser convertidos em áreas de lazer, divulgação da cultura saloia, exposições, mercados, etc.

Dois exemplos de mudança de paradigma: Óbidos com a proibição da circulação de carros no interior das muralhas ou Alcobaça onde o largo em frente ao Mosteiro foi totalmente convertido em espaço pedonal e os carros proibidos não só no largo mas também no acesso ao mesmo.

 

Nuno  Agostinho

(imagem Fernando Castelo)

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