Em anos recentes, tem-se assistido a uma verdadeira demanda turística em todo o território nacional. (por ex. o numero de estabelecimentos hoteleiros subiu de 20.107 un  em 1966 para 48.793 un  em 2014)

Hoje, os índices turísticos batem recordes, transformando-se assim o turismo no setor com maior rentabilidade economia portuguesa.

E em Sintra não poderia ser excepção. Com a criação da Sociedade de Turismo de Sintra decorria o ano de 1929, começou a fomentação do turismo trazendo algumas rodagens de filmes estrangeiros, “estreando” assim a internacionalização da marca Sintra, ao mesmo tempo que por cá a marca Sintra era vendida entre as associações filarmónicas, companhias teatrais que percorriam o pais.

Sintra depois desse ano nunca seria a mesma, chegavam comboios, carros e autocarros e famílias inteiras para visitarem a “maravilha verde” como era conhecida, provocando logo aí um certo congestionamento na vila. Esta turistificação trouxe nos, com o passar dos anos melhor qualidade de vida e desenvolvimento, mais investimento publico e privado. Desde 1929 ate aos anos 90, Sintra desenvolveu-se, em parte devido ao êxodo interno provocado em parte pelo turismo nacional.

Falar de turistas entre o período de 1929 até a década de 90 é falar de pessoas essencialmente nacionais que tinham em mente a descoberta da cidade e o “cuidar” da mesma, hoje nota-se que a turistificação de Sintra deixa cada vez mais visível a sua pegada, como moeda de troca.

Com o passar do tempo, os velhos habitantes da até então pacata vila história sentem-se incomodados porque a sua vida mudou. Não se encontra nenhum Sintrense, que não goste de ver o turismo a florescer e com isso ver o seu desenvolvimento, contudo a ordem de bem-estar está posta em causa quando um munícipe tem problemas a entrar/sair da sua propriedade, quando o índice insegurança aumenta, quando a convivência saudável que outrora existia, deixou de existir. E isto acontece devido a falta de regulamentação turistica.

Hoje em pleno século XXI, a falta de regulação/reflexão turística, chegou ao seu auge, promove-se Sintra em feiras de turismo, em companhias aéreas em agências turismo internacionais e faz-se disto bandeira política, mas esquecemo-nos de olhar para a vila e pensar nos seus habitantes. Hoje, o centro histórico não passa de uma miragem habitacional que acorda quando chegam os turistas e que dorme quando o turismo decide ir para Lisboa. É verdade a maioria do turista que visita Sintra, dorme em Lisboa e pensa que viu a nossa terra em míseras 12 horas.

A aposta no turismo por parte dos agentes decisores é relevante, investe-se milhões de euros (maioritariamente resultante de receitas do jogo de casino) em construção ou reabilitação de Infaestruturas destinadas ao usufruto de turistas curiosos, é certo que com este investimento se promove a reabilitação urbana e se fomenta a criação de postos de trabalho.

Sintra esqueceu-se de Portugal e Portugal tem vindo a esquecer-se de Sintra, é raro hoje ouvir o Português nas ruelas de Sintra. E começa a sentir-se no meio sub-urbano um certo desleixo em visitar a vila, preferindo cidades ao redor.

No futuro ao iniciarmos uma nova regulamentação turística devemos de pensar na criação de uma rede intermodal de transportes e infaestruturas que permita aumentar o fluxo de turistas nacionais e internacionais e se possível fixa-los por cá. Porque só assim Sintra poderá retirar o máximo de rendimento do seu turismo.

Sintra (capital do romantismo a nível nacional) é tão rica que é das poucas cidades do mundo que engloba todas as áreas turísticas; promove o turismo de natureza, o do património histórico e arquitectónico, turismo rural ( a poucos minutos de uma capital europeia) e acima de tudo o turismo cultural. São mil e uma razões para vir e descobrir Sintra. Diga-mos que Sintra será sempre a nossa “capital do Romantismo”

 

Jorge Amado

 

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