O sofrimento pelo tratamento dado a um idoso  e relatado pela sua corajosa Filha, por sinal respeitada e credível Professora Sintrense, entrará na história da negação dos direitos dos cidadãos a terem uma assistência médica hospitalar condigna.

Quando na política se diz que “somos todos iguais”, esta Senhora, que tanto tem dado de si, generosamente, à sociedade em que vivemos, não tem pedido excepções, apenas que seu Pai seja tratado com eficiência – e carinho, dizemos nós – na doença.

Ao longo de dias, e mais dias, os relatos que foi fazendo das situações que seu Pai e ela têm vivido, fazem-nos meditar na contradição entre a realidade e o que, tantas vezes, uns tantos embusteiros inventam para nos iludir a qualquer preço.

Fala o Senhor Ministro, entusiasma-se o Autarca, dobra-se o Serviçal. À margem continuam os que sofrem, os que têm direitos mas são mal tratados, os que não pertencem à camada de eleitos que se pavoneiam ansiosos pela manutenção no poder.

O relato da Senhora Professora Sintrense, antiga autarca, respeitada, é uma pedrada no charco da hipocrisia militante, dos que passam ao lado da verdade da assistência, dos que desvalorizam os carentes para os internar longe de hospitais verdadeiros.

Com gente que não presta não se podem ter contemplações.

Obrigado Professora, os seus relatos reforçam o apreço pela primeira Pessoa.

 

 

Do “Hospitalar” que não é Hospital

 

A recente entrevista ao presidente do Hospital Fernando da Fonseca (por favor clique para ler) ajuda a entender o porquê de um “Polo Hospitalar”, rebaptizado de “Hospital de Proximidade”, que não corresponde aos anseios de um Hospitalar tradicional.

Tal “Polo” – sem autonomia – será gerido pela mesma Administração (Amadora-Sintra) que mantém a Urgência Básica de Mem Martins com as limitações conhecidas em especialidades, médicos e meios auxiliares de diagnóstico.

As palavras do Presidente desse Hospital confirma-nos: “Um pólo é melhor, porque depende na mesma do HFF e podemos evitar que as pessoas venham à urgência”; “Cirurgia de Ambulatório”; “Camas de convalescença”.

 

Face às omissões, exige-se que mostrem o resultado de estudos prévios que suportam a mistura de uma Unidade sem todas as valências com a imagem de um Hospital.

 

Do estudo, que população se prevê abrangida? Metade do concelho de Sintra? Para cá de Rio de Mouro? Porque outra parte do concelho está na área do Amadora-Sintra.

Alguém fala em Maternidade e equipas Cirúrgicas? Em Blocos Operatórios e seu Recobro? Se não tem Internamentos…ou temos uma colossal mistificação?

Em Sintra, há Clínicas Privadas com valências iguais às prometidas para o “Polo”. Se tiverem “camas de convalescença” passam a chamar-se Pólos Hospitalares?

Ou temos alguns políticos que não sabem discernir entre “Hospitalar” e Hospital?

O Amadora-Sintra tem um problema a resolver ligado com camas ocupadas por doentes em convalescença e não só, que envia para o exterior com elevados custos.

A confusa ilusão do “Polo Hospitalar”, agora dito “de Proximidade”, não passa da solução desejada pelo Hospital Amadora-Sintra (que continuará a manter a tutela), mas aliviando custos e afastando alguns doentes dos seus serviços e corredores.

Aproveitando a ansiedade dos sintrenses, criar a miragem eleitoral de um Hospital não passa de uma extensão social e pouco hospitalar do Amadora-Sintra.

Claro que, neste quadro, em acidentes ou doença graves, os sintrenses continuarão a ser levados ao Amadora-Sintra, com ambulâncias correndo pelo IC19 fora.

Inventem-se terrenos, inventem-se fantásticas vitórias, mas não iludam os sintrenses falando de um Hospital que o não é, quando precisamos de um que o seja.

Queremos um Hospital com todas as valências de um Hospital, não uma Urgência Básica Alargada…para convalescença “Social” longe da entidade que os deve tratar.

Não é difícil admitir que a situação com que iniciámos este artigo já teria uma confortável solução para o Amadora-Sintra se existisse o “Polo” de “Proximidade”.

Nesta fase, o eleitoralismo já pouco colhe, pelo que o próximo Presidente da Câmara – que esperamos seja Sintrense – terá de redefinir a política de saúde para Sintra.

Até no desejo de um verdadeiro hospital não é este o caminho.

 

Fernando Castelo # blogue Retalhos de Sintra

http://retalhos-de-sintra.blogspot.pt

Imagem retirada do artigo de Romana Borja-Santos, de 30.1.2017 (em cima mencionado)

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