Foi em 11 de Março de 1994, publicado em Diário da Republica a elevação da então designada Área de Paisagem Protegida de Sintra-Cascais a Parque Natural Sintra-Cascais.

Desde daí tudo mudou, passou-se a proteger (por lei) a fauna, flora, os valores culturais de uma Área Protegida que se sentia ameaçada pelas constantes pressões urbanas. Imaginaremos nós, o que teria sido se tal ato legislativo não tivesse ocorrido; certamente que hoje teríamos um parque muito diferente ao que conhecemos.

Em 2005, o mediatismo e os movimentos ambientalistas voltaram-se para o PNSC, quando foi autorizada a produção do “reality show” emitido pela TVI intitulada como “1ª Companhia” numa área que coincidente com uma zona abrangida pela classificação de património da Humanidade atribuída pela Unesco a Sintra, mas antes já tinha ocorrido algum falatório parlamentar face a algumas autorizações de construção duvidosas. Na vida deste Parque nem tudo foi e é rosas…
O Parque Natural Sintra-Cascais é constituído por 14,583 hectares e abrigava na sua fase primaria mais de 200 espécies de vertebrados:  33 de mamíferos, mais de 160 de aves, 12 anfíbios, 20 répteis e 9 espécies de peixes de água doce e muito ar puro. Nos dias de hoje segundo algumas noticias há espécies em vias de extinção e algumas já mesmo extintas.

A reserva natural apresenta uma grande diversidade de ambientes e paisagens que inclui dunas, florestas, lagoas, pequenas barragens de retenção de águas (com objectivo de reter agua para fazer face a eventual incêndio), uma acidentada linha costeira em que as altas arribas são interrompidas pela presença de praias encantadoras, o imponente Cabo da Roca (o ponto mais ocidental da Europa) e, no centro, a magnífica Serra de Sintra. É no PNSC que se encontra os principais monumentos geridos pela Parques de Sintra, Monte da Lua S.A (empresa constituída em 2000 pela câmara de Sintra e pelo estado português com atribuição de gerir o equipamento cultural, arquitectónico e paisagístico de Sintra)

O que me surpreende no Parque Natural Sintra-Cascais (PNSC) é a forma como conseguiu preservar toda a sua harmonia natural, estando tão próximo de uma grande metrópole como Lisboa ou da charmosa costa dourada de Cascais e da romântica Sintra, certamente que é um dos raros exemplos nos quais a presença humana e a natureza conseguem coexistir.

Que futuro queremos para Parque?

A futura sustentabilidade do parque passará certamente pelo bom senso de quem o utiliza. Devemos de o abrir ao turismo sustentável e com isso estarmos todos alertados para a alteração dos habitat´s das espécies residentes, o desordenamento do território deverá de ter tolerância 0, nas estações quentes aparecem sempre os apavorados e temidos incêndios provocados ou não pelo homem e nos últimos anos o PNSC teve alguns que deixaram marcas ainda hoje visíveis. Quando o frequentamos, devemos todos de nos lembrar que o PNSC é o segundo maior pulmão da cidade de Lisboa que é possuidor de uma beleza extrema, o futuro passará também por na minha óptica, a criação de verdadeiras políticas de prevenção a incêndios, campanhas de reflorestação com espécies autóctones e repovoamento animal, não esquecendo que é um crime ambiental e publico a possível revisão do alargamento da cota para possível futura construção indo assim contra a rede natura. Fica aqui o conselho para possíveis decisores políticos actuarem; amanha já poderá ser tarde se nada for feito hoje.

O PNSC não é meu, não é seu, mas é utilizado por mim e certamente por si, ele obriga-nos a cuidar dele como se cuida de um filho, mas temos de olhar para ele de forma diferente, diferente na maneira como podemos retirar dele o máximo possível de conhecimento. A fauna e a flora, ali existentes são únicas no mundo ajudando á criação do micro-clima que Sintra é possuidora.

O que poderemos retirar do Parque?

Podemos retirar, sabedoria e o conhecimento “in loco” de tudo que lá existe. Não se percebe o porquê das escolas básicas e secundárias não darem aulas curriculares (por exemplo de ciências ou biologia) em pleno PNSC. Na minha opinião a abertura do parque as mesmas, seria um enriquecimento curricular vantajoso para as crianças e jovens adultos, começariam assim a olharem para a floresta não só pela árvore mas sim pelo seu todo. Mas não só de ciências naturais/biologia se faz o parque, mas também é rico em história e nele respira-se história a cada canto. Aqui está mais uma razão para visitarmos o parque.
Em pequeno cheguei a acampar com os escuteiros em pleno parque, era tudo novo para mim, nele senti algumas vezes frio durante as noites, nele senti medo, mas ao mesmo tempo sentia uma liberdade e uma limpeza de alma. Hoje chegou a minha vez de cuidar dele.
E aqui ficam razões enormes para protege-lo admira-lo e simplesmente cuida-lo.
Jorge Amado

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