O Hospital de Sintra é assunto há pelo menos duas décadas. Com o aproximar das eleições autárquicas veio outra vez à baila. Foi anunciado, com pompa e circunstância, que o assunto tinha sido objecto de negociações entre o governo local e o governo central, tendo sido obtido um acordo para a construção de um Polo Hospitalar em Sintra. Foi dito que já havia um terreno na Cavaleira para a edificação do mesmo e que a Câmara Municipal seria responsável por parte do investimento, na ordem dos seis milhões de euros para um total de trinta milhões de euros de investimento.

 

Então vamos às contas. Uma cama hospitalar representa um investimento de, entre um milhão e trezentos mil euros e um milhão e quinhentos mil euros. Ora, tendo em consideração que um Polo Hospitalar é menos diferenciado que um Hospital, o que resulta num custo menor por cama, podemos considerar como bom um investimento de um milhão de euros por cama para o referido Polo Hospitalar. Como tal, teremos trinta camas para o mesmo.

Mas será que o problema fica resolvido com mais trinta camas? Evidentemente que não. Não é uma solução, é adiar o problema atirando com areia para os olhos dos eleitores. Dos dados da própria Administração Central se deduz que o Hospital Fernando Fonseca, o Amadora-Sintra, presta cuidados a trezentos e cinquenta mil utentes, tendo sido projectado e equipado apenas para duzentos e cinquenta mil – uma cama de hospital para cada mil habiotantes. Ora, para colmatar o problema seriam necessárias mais cem camas, pelo menos. No entanto, e considerando que o concelho tem mais de quinhentos mil habitantes, seria necessário um Hospital com pelo menos trezentas camas, ficando o Hospital Fernando Fonseca com a designação Amadora-Queluz, retirando cerca de cento e cinquenta mil habitantes à área de influência do futuro Hospital de Sintra. Só que há um problema: a Administração Central não tem dinheiro para o investimento. Relembro que o Hospital Central do Algarve, prometido há décadas, tem vindo a ser adiado por falta de verbas.

Nos últimos quarenta anos foram construídos na Grande Lisboa os hospitais do Barreiro, Almada, Vila Franca de Xira, Amadora, Loures, Cascais e elevado à categoria de Hospital a antiga Clínica de S. Francisco de Xavier. Só ficaram de fora Sintra e Oeiras. Mas este último concelho, dada a sua dimensão territorial escassa, fica na área de influência do Hospital S. Francisco de Xavier. Ou seja, só o concelho de Sintra não soube congregar influência junto do poder central de modo a que fosse atendida a sua justa reclamação. A decisão de construir um dado equipamento, seja ele qual for, é sempre política. Os sucessivos decisores políticos em Sintra foram sempre, salvaguardando as devidas excepções, muito fracos.

Quanto ao problema que parece agora ter surgido com o terreno escolhido para edificar o referido Polo Hospitalar, é um problema jurídico, mas do que se pode inferir da lei que gere o solo, não me parece que sejam os urbanizadores a poderem decidir qual o melhor uso a dar a um terreno que é do domínio público municipal. Por outro lado, a sua dimensão – oito hectares e meio – parece excessivo para um simples Polo Hospitalar. Creio que existe vontade de reservar terreno para expansão do dito Polo, fazendo-o crescer até se tornar num verdadeiro Hospital, que a população de Sintra merece e necessita.

Aguardemos pelo futuro desenvolvimento da “novela”…

 

 

Rui Sampaio Rodrigues

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