Os últimos desenvolvimentos sobre a construção do Pólo Hospitalar de Sintra, mantêm o diagnóstico de uma doença infecciosa crónica, identificada há mais de duas décadas. Num prolongado desrespeito pelo utente, as forças partidárias arremessam culpas entre si, como se houvesse inocentes entre as que exerceram o Poder em Sintra, nas últimas décadas. A agravar a infecção, tentam-se ganhos políticos em ano eleitoral. Entretanto o eleitor/utente continua a aguardar horas nas salas de atendimento, e dias, meses, anos nas listas de espera.

 

As versões que têm sido dadas para a reviravolta dos proprietários do terreno destinado ao Pólo Hospital, não podem deixar o cidadão perplexo, já que o que estará em causa é a alteração dos alvarás de um terreno inicialmente destinado a espaços verdes, para um espaço destinado à construção do referido Pólo Hospitalar, mantendo-se a função de equipamento público. Juntam-se a esta perplexidade, dúvidas legítimas: quais as razões que levaram os proprietários, através dos seus representantes legais, dar o dito por não dito, em tão pouco tempo, invocando como motivo, para a revogação da “declaração negocial” antes assinada, o se terem sentido pressionados para o fazer?; Conhecendo o conceito de diálogo em democracia do actual Presidente e a sua aversão em ser contrariado, teremos aqui mais um imbróglio provocado por Basílio Horta que está a ser pressionado pelo calendário eleitoral – leia-se aparelho do PS/Sintra?; Porque razão Marco Almeida fala em mais uma trapalhada de Basílio Horta, e não fundamenta a mesma?

Ao contrário do que li, a população de Sintra não anseia há muito por um Pólo Hospitar, mas sim por um Hospital. Mas também, como já escrevi, a possibilidade da construção do Pólo em Sintra, não deve ser rejeitada logo que implique uma política de articulação com “os Centros de Saúde, tendo em conta a sua localização geográfica (…) o apetrechamento humano e técnico dos mesmos, o núcleo de valências, em articulação com os serviços que só um Hospital pode prestar (…) Um pólo não é um hospital e este devia de ser, há décadas, um dos objectivos nucleares de qualquer boa governação para Sintra”(Três Parágrafos, de 20 de Novembro 2016). Nesta questão fulcral, a dos cuidados de saúde, mais do que procurar dividendos políticos é preciso a conjugação de esforços, para encontrar uma solução transitória que acrescente maior qualidade de vida aos sintrenses, sem deixar de ter como objectivo final a construção do Hospital de Sintra.

Quaisquer dividendos políticos que se queiram tirar desta situação, serão devidamente descontados pelos eleitores, que não entendem os zigue-zagues e as minudências desta discussão política, apenas sabem, por experiência própria ou próxima, o que sofrem – para além da dor que os leva a recorrer aos serviços hospitalares, a outra dor que têm de acumular com os tempos de espera e o caos dos serviços. Entrar nesta discussão sem argumentos sólidos, ou invocando o passado, para além de gerar cansaço e descrédito, conduz a uma armadilha que se pode virar contra quem eventualmente a montou, ou provocar danos políticos graves, a exigir hospitalização, em quem ela cair – o que não é nada desejável atendendo à falta de um Hospital em Sintra…

 

João de Mello Alvim  #  blog Três Parágrafos

 

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* Eu sei que, para além do temperamento, a formação política de Basílio Horta, por mais que a queiram enterrar, não espera pelo terceiro dia para ressuscitar e dificulta qualquer discussão democrática.

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