Frase assídua na vida de todos nós, esta lição comum ilustra sobremaneira a história recente que envolve a (não) construção de um Hospital em Sintra, com o assunto a conhecer avanços, recuos, hospitais afirmados e desmentidos. Certo é que, para se elaborar sobre este assunto, há algumas premissas a observar sob pena de se estar a desprezar o que é fundamental em proveito de interesses que não são os de todos os sintrenses.

 

Em primeiro lugar é certo, e assumido de forma consensual, que Sintra precisa urgentemente de um Hospital; é claro que, nos dias que correm, a oferta pública de equipamentos de saúde no concelho está muito abaixo de suprir as necessidades básicas; é também evidente que, além de um Hospital, são necessárias outras diligências fundamentais ao nível do equipamento e, sobretudo, dos recursos humanos; finalmente, ninguém negará que este é um assunto que, pela sua natureza e atual estado, requer uma reflexão ponderada e uma estratégia integrada para encontrar as soluções adequadas às populações.

Tendo estes pressupostos como base poderia, facilmente, deduzir que a edificação do hospital sofre de algumas enfermidades graves, desde logo a dificuldade em atribuir uma denominação ao que se apresenta. Uns chamam-lhe polo, outros unidade, ainda equipamento hospitalar, enfim, tudo menos Hospital. E é aqui que, ao invés de chegarmos a conclusões, se formulam um sem fim de hipóteses e interrogações que, caso fossem respondidas, por certo teríamos o diagnóstico certo e a correta terapia a aplicar, passe a metáfora.

O que terá o polo hospitalar? Suprirá todas as carências de Saúde de tão vasta população? Inviabilizará a curto/médio prazo a construção de um Hospital de dimensão adequada às necessidades? Que valências terá? Não sendo um hospital de raiz que utentes irá servir prioritariamente? Que modelo de gestão terá?…

Estas são apenas algumas questões que ocorrem de imediato e que não se vêm clarificadas. É minha opinião, tal como o chavão em título, que com a saúde não se brinca e, muito menos, se faz dela um instrumento de propaganda política. Ninguém se opõe a qualquer melhoria neste setor crucial, seja um mini-hospital ou um megacentro de saúde, porém, exige-se transparência, organização, planificação e propostas condizentes com a imprescindível resolução dos problemas, ao invés de anúncios reativos e apressados para cumprirem o apertado calendário eleitoral. Que a leviandade de certos interesses não hipoteque o que todos, sem exceção, ambicionamos – um Hospital com maiúscula e todas as letras.

 

 

Carlos Miguel Saldanha

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