Conheci, pessoalmente, a Maria Almira Medina, na década de noventa do passado século, altura em que exerci as funções de Presidente da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins.

Teve o saudoso Espaço Cultural da Junta de Freguesia de Algueirão-Mem Martins, a sorte e a honra de acolher dentro das suas paredes o talento da Maria Almira numa exposição de caricaturas de sua autoria. Corria, talvez, o ano de 1996.

 

Lembro-me da afabilidade e simpatia com que acolheu o meu convite. Lembro-me do imediato sim, sem reservas, nem hesitações, ao desafio proposto. Era assim a Maria Almira Medina.

Na Maria Almira impressionou-me, desde o primeiro momento, a sua determinação, a sua garra, a sua força, características de Mulher grande. Sim, a Maria Almira era Mulher grande em corpo pequeno.

O entusiasmo pausado e sereno que saltava dos seus olhos quando falava dos desenhos e caricaturas, dos seus escritos, do jornalismo, das artes, enfim, da vida, contagiava todos aqueles que com ela tiveram o privilégio de conversar e conviver.

Há um ano Maria Almira deixou-nos. Encontra-se em descanso, por certo, activo, porque mulher da sua estirpe não descansa parada. Imagino-a sentada num jardim de azul coberto, com um lápis na mão, um bloco de papel sobre o regaço, a caricaturar este mundo, este pobre mundo, desajeitado, desconjuntado, tosco.

Falar da cultura de Sintra, onde também leccionou, sem falar de Maria Almira Medina seria, por certo, falha grave que ninguém se atreveria a cometer. E daí, não sei, pois, a memória, ou melhor, a falta dela, é mal geral nos apressados e superficiais dias que correm.

Compete-nos a nós, que com ela privámos, uns mais, outros menos, não deixar esquecer esta pequena grande Mulher.

 

Rogério Paulo Moura (texto)

Foto de Pedro Macieira (Chalet da Condessa, Março 2008)

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