«É de memória que venho conversar.  É de reconhecimento.  Lembro o meu Pai, António Medina Júnior que, com uma letra de bom desenhador que era, me deixou escrita, num minúsculo papel, a seguinte frase: “O reconhecimento é a memória do coração”. Creio que entendi.  Creio que aprendi. Conservo o papel.»

É com estas palavras que MARIA ALMIRA  inicia o belíssimo texto “A Memória é uma Rosa Aberta – Evocação do Parque da Pena” que leu, em 4 de Maio de 2007, no Palácio Valenças, aquando do Encontro de História promovido pela Alagamares e que mereceu da parte da assistência, que de pé a aplaudiu durante alguns minutos, uma sentida e longa ovação.

 

Por este e por todos os outros textos que escreveu, sob o mesmo tema, “A Memória é uma Rosa Aberta”,  perpassam as Suas vivências de muitos anos em Sintra,  sempre amorosamente descritas como Seu Pai lhe ensinou, com a memória do Seu coração.

Numa crónica de Maio de 1998, por exemplo, escreve: “Guardo uma foto desse local (Rampa do Castelo – Santa Maria) com uma amiga de infância, a escritora Maria Judite de Carvalho – companheira de encantamento e reflexões nos nossos longos passeios pedestres.  A sua presença suave ficava bem nesta terra vestida para olhos como os dela.  Olhos que, fechados, agora, para sempre, fazem parte da memória de Sintra”.  Maria Judite de Carvalho tinha falecido, no dia 18 de Janeiro desse mesmo ano.

Sobre MARIA ALMIRA, que nos deixou faz agora um ano, nunca se poderá dizer tudo.  Se insisto no conjunto de Crónicas a que ela quis dar o nome de “OS CANTOS DA CASA” é porque, várias vezes lhe ouvi, do muito gosto que tinha em que fossem publicadas em Sua vida, gosto que, também com pena minha, não chegou a ver realizado.

 

Emília Reis (texto e foto, Monserrate Maio de 2011)

 

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