Em finais de 1995, o Comité Inter-Governamental da UNESCO aprovou por unanimidade o estatuto que atribuiu a Sintra a condição de Património Mundial, como Paisagem Cultural, facto de indiscutível importância para a região e o país. Mas ainda que tal reconhecimento internacional não tivesse ocorrido, a essência da questão subsistiria: o património de Sintra é acima de tudo uma responsabilidade colectiva.

Mais de duas décadas volvidas sobre aquela decisão, as mudanças positivas devem ser realçadas. Entre vários exemplos, quem não se recorda da paisagem degradada oferecida pelo edificado nas Escadinhas Félix Nunes, pelas ruínas da Pensão Bristol (cuja solução encontrada não foi isenta de polémica), ou pelo insólito parque de estacionamento no Largo Rainha D. Amélia? Todavia, não podemos esquecer a persistência de um certo atavismo político/cultural traduzido em actos como a eliminação da cúpula do Café Paris – perda identitária que devia fazer corar de vergonha os responsáveis públicos e privados pelo feito.

Mais recentemente, em 2014, no Central Palace Hotel surgiu uma esplanada coberta numa zona correspondente à fachada do antigo Hotel Central, circunstância que não passou despercebida à cidadania sintrense mais atenta, que no cumprimento do seu papel denunciou a situação junto das entidades competentes. De facto, a iniciativa dos responsáveis daquela unidade hoteleira, além de fugir ao mais elementar bom senso, parece inquinada de ilegalidade.

Sobre este assunto, de acordo com notícias vindas a lume na comunicação social, o Presidente da Câmara, Dr. Basílio Horta, terá exarado em finais de Dezembro de 2014 um despacho a embargar a obra.

Face ao longo tempo entretanto decorrido – estamos em 2017 – e porque a referida esplanada se mantém, fica aqui o repto ao Presidente da Câmara para esclarecer urgentemente a situação, não se compreendendo, aliás, porque não o fez ainda.

Para os detentores dos cargos políticos (locais e centrais), a recuperação e preservação da riqueza patrimonial de Sintra deveria constituir um estímulo suplementar na sua acção e não uma maçada, como estes casos parecem teimosamente mostrar.

 

 

Valdemar Reis

(imagem de Fernando Castelo)

 

 

 

Anúncios