As transformações da sociedade em relação a um mundo que queremos melhor, passam pela mudança de mentalidades cujo principal catalisador é a cultura. Limitados décadas e décadas pelos três efes, por uma instrução que apenas exigia o saber escrever, ler e contar e onde a única “política” permitida era o trabalho, pois outros tratavam da sua elaboração e execução, ainda não nos libertamos desta canga que nos limita a cidadania plena e impede o desenvolvimento civilizacional.

Esta situação revela-se a vários níveis como, por exemplo, na exposição e troca de argumentos. Frequentemente – e Sintra não é excepção -, o que pretende ser uma contribuição para o debate de ideias, resvala para a argumentação tacanha, quando não insultuosa e, como escreveu, há dias, no jornal Público, Bagão Félix, “com tal veemência e incapacidade de escutar o outro com tão suprema desconsideração, que nos deixam esmagados e condenados a uma visão paroquial dos assuntos (mal)tratados. Perante personalidades tão implacavelmente perfeitas e isentas de dúvidas ou erros, donos absolutos das suas “certezas”, nós, comuns mortais, que erramos com naturalidade, só lhes podemos estar gratos”.*

O debate político é confundido com bocas da conversa clubística, quando as emoções arrasam a racionalidade – com o aproximar das eleições autárquicas, a confusão e a irracionalidade vão-se acentuar. Os pretensos donos das certezas políticas, não raro bradem o cartão partidário como se este lhes outorgasse o exclusivo na discussão política, esquecendo que os cidadãos têm todo o direito exprimir as suas opiniões, esquecendo-se que, se os partidos são essenciais em democracia, a partidocracia asfixia-a– em Sintra isto é recorrente . Os partidos devem ser escolas de cidadania, de tolerância, de debate ideológico interno permanente que não se podem esgotar em “objectivos instrumentais “de manutenção do Poder, ou na sazonalidade das “Universidades”.

Pela minha parte, não abdicarei de continuar a pensar e a escrever o que penso, exercendo o meu direito como cidadão e lutando contra o medo que tolhe a razão dos zelotas do pensamento único. Já agora, também a estes, desejo um Bom Ano.

 

 

 

João de Mello Alvim  #  blog Três Parágrafos

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*Cito um político de direita, como podia citar um de esquerda, e isto não é confusão ideológica nem defesa implícita de que não há direita nem esquerda. É recusar o maniqueísmo, como rejeitei durante toda a minha vida.

 

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