Apresentado e defendido pela actual concelhia do PS como a melhor solução para voltar a conquistar o Poder em Sintra, Basílio Horta(BH) passou de solução a problema. Depois de conseguir uma mão cheia de nada nas negociações com a sua família ideológica, numa tentativa de esvaziar a candidatura do independente Marco Almeida, averbou novo fracasso nas “aproximações” à esquerda, que não esquece o seu percurso político, as ligações ao bloco central de interesses, nem o cariz autoritário da sua personalidade política e a “gestão excel” destes últimos três anos.

A surpresa e indignação junto de muitos socialistas, e democratas que habitualmente votavam PS, pela indicação desta figura da direita radical para encabeçar a candidatura do PS em Sintra em 2013, nunca foi esquecida. A victória, à tangente, e a consequente distribuição de lugares calou a maior parte da contestação interna, provocando, por outro lado, um afastamento de muitos militantes, que não cederam nos seus princípios – a maior parte deles tinham estado fortemente empenhados nas anteriores candidaturas dos socialistas João Soares e de Ana Gomes. *

A gestão política errática e economicista, gerida por um homem com dificuldades óbvias em dialogar e encarar o que não seja a sua verdade, aliada ao horror que tem em sair “do paço”, para ouvir e ser confrontado com os problemas e anseios das populações**, e o escrutínio de uma oposição atenta que apontava/aponta o que ia/vai mal e estava/está podre no “reino de Basílio”, fez claudicar o plano inicial. Na verdade este plano, cujo grande eixo assentava na acumulação de milhões para “fazer obra e lançar projectos” em ano de campanha eleitoral – não vou cair no ridículo de dizer que foram três anos sem obra –, não obteve os resultados esperados, e isso mesmo indicam os cruzamentos de sondagens que têm vindo a ser realizadas.

Daí o recorrer ao um outro suposto trunfo de BH – o primeiro era o seu conhecimento do meio empresarial, via AICEP -, a sua boa relação com altos dirigentes e “altos influentes” do PSD*** e do CDS.  Como se sabe o trunfo virou flop. O mesmo aconteceu com as “aproximações” ao PCP e ao BE, que falharam praticamente antes de começarem, já que nenhum destes partidos mostrou interesse em “conversar”, tendo como pano de fundo uma candidatura que terá como cabeça de lista uma figura com um percurso tão marcadamente de direita, como é a de  Basílio Horta. Isto mesmo que os zelotas do PS insistam em branquear o seu percurso político/partidário e apostem na amnésia colectiva. Ainda bem que não se lembraram de indicar João César das Neves para cabeça de lista…

Resultado: aquilo que o omnipresente – e, ao que consta, omnipotente – presidente do PS/Sintra e velho manobrador do aparelho, vereador Rui Pereira, e o seu “inner circle” defenderam (para além do) acerrimamente junto dos militantes, como “a solução” vencedora para Sintra, paulatinamente, vem-se revelando “o problema”. Esta análise começa a ganhar corpo no interior do partido provocando, ainda que a medo (porque, adaptando o velho ditado, “quem tem cargo, tem medo”), alguns desencontros internos e mesmo uma crescente afirmação das posições da única “aldeia gaulesa” da estrutura concelhia do PS. É caso para dizer que “os três anos de obra” de Basílio Horta, contra “os doze sem obra” de Fernando Seara, criaram um bico d´obra ao PS.

 

João de Mello Alvim  #  blog Três Parágrafos

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*Com tantas estórias conhecidas e vividas por dentro por militantes do PS/Sintra, sobre a propalada ausência de apoio a estas duas candidaturas por parte de dirigentes, e influentes locais do partido, para quando a divulgação das mesmas? Não seria um bom contributo para arejar o partido, recentrá-lo ideologicamente e evitar a actual sangria?

 

**Por mais que os assessores lhe façam o guião, o actual Presidente é como o escorpião da fábula, não é da sua natureza criar empatia.

 

***Aqui não importava, como não importou aquando do acordo que sustenta a actual governação em Sintra, que fosse Passos Coelho o Presidente do PSD…

 

 

 

 

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