De Lord Byron a Eça, de Vergílio Ferreira a Hans Christian Andersen, duquesas a princesas, reis e rainhas, artistas, ministros e presidentes; ninguém lhe é indiferente.  São incontáveis as frases, as palavras e os sentires de inúmeras personalidades e anónimos que, ao longo dos séculos, procuraram definir e transmitir sensações, belezas e mistérios, narrar história e estórias que se escondem nos recantos na Paisagem Cultural de Sintra, há mais de duas décadas considerada Património Mundial da Humanidade.

 

Elegi a frase do nosso Nobel porque, tal como Sintra, as suas obras têm algo de divino, a mão humana e não podem, pela sua riqueza incalculável, deixar de ser pertença universal. Mas não podemos abdicar nem abrir mão do brio saloio de ser sintrense e não podemos, em momento algum, perder a noção que, mais do que vantagens, ser Património da Humanidade, dá-nos a todos a responsabilidade de cuidar, de pensar, de planear, de proteger e de agir de forma a valorizar ainda mais o que não tem preço.

 

Ocorre-nos sempre o arabesco Monserrate, o eterno castelo Mouro ou a mística Regaleira; Não olvidamos as chaminés que pontuam o centro da vila, a imponência da Pena, os verdes parques e as ariscas praias; mas, sobretudo, Sintra preenche-nos os sentidos na simplicidade do orvalho que pousa nas urzes, nas misteriosas névoas que afagam as encostas, na maresia que nos enche o olfato e no majestoso recorte da serra que marca o horizonte e divide a azáfama urbana do bulício rural. Saloios, sintrenses, entendemos o temperamento único e, só nós, temos a capacidade de viver e estimar esta Sintra nos detalhes únicos que amamos e partilhamos orgulhosamente com a humanidade.

 

 

Carlos Miguel Saldanha (autor convidado)

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